SIMPÓSIOS TEMÁTICOS APROVADOS – ABRALIN 2015

Eixo 1: Análise da Conversação

Não houve simpósios aprovados até o momento.

 

Eixo 2: Análise do Discurso

1. A verbo-voco-visualidade: uma reflexão bakhtiniana acerca de enunciados contemporâneos – Luciane de Paula (Unesp) e Grenissa Stafuzza (UFG)

Resumo: A proposta deste simpósio é refletir acerca de discursos verbo-voco-visuais contemporâneos, calcados na fundamentação teórico-metodológica da filosofia da linguagem bakhtiniana. A ideia é pensar sobre a constituição desses enunciados – filmes, videoclipes, canções, posts de redes sociais, seriados, histórias em quadrinhos, charges, pinturas, peças publicitárias, entre outros. Para isso, este simpósio pretende focar-se na dialogia como concepção nodal do Círculo, com a qual outros conceitos se constituem. A Análise Dialógica de Discursos (ADD) é tomada como aparato fértil para embasar interpretações de enunciados verbais, não-verbais e sincréticos. Noções como as de sujeito, entoação, cronotopia, exotopia, gêneros, dentre outras, tendo em vista a produção-circulação-recepção dos enunciados, podem ser pensadas como ferramentas que podem auxiliar a compreensão do funcionamento tanto de discursos verbais quanto não-verbais (sonoros e imagéticos) e sincréticos. Os gêneros discursivos, junto com a noção de diálogo, são o carro-chefe deste simpósio, uma vez que se constituem e são estabelecidos no acontecimento da linguagem, na relação viva entre eu/outro, orquestrados pela voz autoral. Sabe-se que os gêneros não podem ser pensados fora da dimensão cronotópica e exotópica, uma vez que os sujeitos se encontram sempre num espaço e num tempo. Brait (2006, pp. 09, 10) afirma que, embora Bakhtin não tenha "proposto formalmente uma teoria e/ou análise do discurso (...), também não se pode negar que o pensamento bakhtiniano representa, hoje, uma das maiores contribuições para os estudos da linguagem". A filosofia da linguagem empreendida pelo Círculo será encarada aqui como formulação em que o conhecimento é concebido de forma "viva", produzido, veiculado e recebido em contextos histórico-culturais contemporâneos. Nessa perspectiva, este simpósio ambiciona refletir ainda sobre a pertinência dos estudos bakhtinianos para analisar discursos contemporâneos. Em especial, enunciados verbo-voco-visuais. O intuito é pensar sobre as interações socioculturais, a fim de colaborar com os estudos da área, tendo em vista a importância de se refletir acerca de uma configuração discursiva explorada na contemporaneidade.

Palavras-chave: Círculo de Bakhtin; Dialogia; Discurso; Verbovocovisualidade; Signo ideológico.

2. Discurso e cultura: interfaces - Maria das Graças Dias Pereira (PUC-RIO) e Branca Falabella Fabrício (UFRJ)

Resumo: As histórias da constituição dos campos dos estudos da linguagem e das ciências sociais se entrelaçam em diversos momentos, com fortes influências recíprocas que por vezes estão na base de reformulações e reconstruções paradigmáticas. Podemos citar, como exemplos marcantes, a centralidade da sociologia interacionista de Erving Goffman para o campo da sociolinguística interacional, fundada por Gumperz, junto a estudos em colaboração com Dell Hymes, e o diálogo entre teorias da etnografia na antropologia pós-moderna norte-americana. A recorrência destes diálogos entre os estudos da linguagem e as ciências sociais é a âncora de que lançamos mão para propor um Simpósio Temático de natureza interdisciplinar, voltado para o estreitamento da reflexão em torno das formas de interlocução possíveis entre estes dois campos das humanidades. Não se trata, contudo, da mera reunião de trabalhos de orientação quer linguística, quer sócio antropológica. Antes, a proposta do Simpósio Temático é receber trabalhos que combinem, na construção de seus objetos, conceitos e perspectivas oriundas destas duas grandes áreas de conhecimento. Neste empreendimento, as noções de "discurso" e "cultura" são nodais. Por um lado, "discurso", ao menos em sua acepção foucaultiana, é moeda corrente em diversos projetos teóricos, preocupados em particular com a micropolítica cotidiana, e remete, em proposições de Bucholtz, à linguagem em contexto, em situações socioculturais, nas relações linguagem, cultura e sociedade. Se "Discurso" ocupa um lugar comparável na virada pragmática que orienta hoje boa parte de estudos do uso da linguagem, com reflexões sobre a interação social e seus participantes, "cultura" é o conceito em torno do qual se erigiu boa parte do pensamento antropológico, voltado para seu progressivo refinamento. "Cultura", no entanto, não é área demarcada dos antropólogos, havendo hoje uma profusão de propostas teóricas oriundas da linguística que, em um movimento de mão-dupla, buscam ao mesmo tempo iluminar questões da linguagem através do recurso à cultura e entre lugares, visando contribuir para sua compreensão por meio de análises da linguagem em contexto. Tendo estas questões como pano de fundo, este Simpósio Temático tem por objetivo reunir trabalhos que combinem, na construção de seus objetos de pesquisa, conceitos oriundos dos estudos da linguagem e das ciências sociais. A finalidade é permitir o aprofundamento da reflexão sobre esta versão específica da interdisciplinaridade que se estabelece entre os estudos do "discurso" e da "cultura". São bem- vindas, em particular, contribuições das áreas da linguística e da antropologia, em relações de interface.

Palavras-chave: Discurso; Cultura; Interação; Etnografia; entre lugares.

3. Análise crítica do discurso e linguística sistêmico-funcional: diálogos possíveis - Iran Ferreira de Melo (UPE) e José Ribamar Lopes Batista Júnior (UFPI)

Resumo: Os postulados teóricos concebidos pelo paradigma de investigação linguística e social denominado Análise Crítica do Discurso (ACD) se ocupam, lato sensu, dos efeitos ideológicos que sentidos de textos, como instâncias de discurso, podem ter sobre as práticas sociais, isto é, sobre as formas de indivíduos agirem no mundo e interagirem com o mundo, representarem aspectos do mundo e de si mesmos e construírem identidades sobre si e sobre outrem. Esse paradigma serve, por isso, como um produtivo recurso para a análise dos sentidos que atuam a serviço de projetos particulares de dominação e exploração, seja contribuindo para sustentar ou modificar conhecimentos, crenças, atitudes ou valores (CHOULIARAKI & FAIRCLOUGH, 1999). Não se trata de uma disciplina da Linguística, mas a uma forma de investigação que linguistas já filiados a diferentes disciplinas assumem ao analisar a linguagem, oferecendo suporte científico para o questionamento de problemas sociais que engendram poder por meio da manutenção e transformação de representações, identidades, sistemas de crença e conhecimento e relações sociais (FAIRCLOUGH, 2001, 2003). Já as pesquisas realizadas sob a égide da Linguística Sistêmico-Funcional (LSF) investigam as formas linguísticas em consonância com as funções a que elas servem nas práticas sociais. Sob essa perspectiva, está a defesa de que os elementos gramaticais que dão corpo aos textos engendram significados sociais e, assim, têm papel na organização da sociedade. Além disso, a LSF se fundamenta numa teoria que compreende a linguagem como um sistema semiótico de escolhas (daí o termo "sistêmico" no nome) e tem como primado a concepção de que a língua desempenha funções externas ao sistema linguístico (daí a denominação "funcional"), as quais contribuem para moldar a organização interna desse mesmo sistema. Essa relação dialética coincide com a proposta da ACD na medida em que ambas reconhecem a semiose (e, em especial, o sistema de linguagem verbal, a língua) como um elemento que se (re)constroi unicamente por meio de seus laços com outros elementos não-semióticos da prática social, isto é, entendem que a relação entre os textos em si e as redes de práticas sociais está amparada por um imbricamento dialético e transformacional (BARBARA & MACÊDO, 2009). Neste simpósio, propomos a congregação de socializações de pesquisas, que sob a égide da ACD e/ou da LSF, refletem acerca do papel da linguagem na dinâmica da vida social pública contemporânea, descrevendo a realização de discursos e propondo um olhar crítico sobre eles e seus impactos na mudança social, ao usar recursos teórico-metodológicos de ambas as perspectivas.

Palavras-chave: Discurso; Funcionalismo; Prática Social.

4. Discurso e psicanálise: uma articulação para a análise das diferentes materialidades - Carolina Padilha Fedatto (UFMG) e Fernanda Luzia Lunkes (UFF)

Resumo: Desde as primeiras formulações teóricas da Análise de Discurso, Michel Pêcheux (1969) convoca questões do campo da Psicanálise a fim de constituir uma disciplina de entremeio na qual se inscreva, juntamente com uma crítica ao estatuto da linguagem e da história, o papel do inconsciente e da subjetividade nos processos de produção dos discursos, seus movimentos, as posições sujeito em jogo, o equívoco do dizer e o não-dito. Já em seu último texto, O discurso: estrutura ou acontecimento, Pêcheux ([1983] 1990) reitera a necessidade de se praticar a AD como uma disciplina de interpretação colocando em causa o ordinário do sentido e considerando o "outro nas sociedades e na história", bem como a consequente organização das filiações históricas em memórias e em redes de significantes, as relações sociais. Entremeio e interpretação estão, pois, na base do trabalho com o discurso. E pelo vínculo com a Psicanálise, noções como inconsciente, outro, falha, lapso, divisão, contradição, resistência tornaram-se fios indispensáveis na trama conceitual das análises discursivas. Buscando explorar esses laços nocionais, a proposta deste simpósio é congregar reflexões que articulem Análise de Discurso e Psicanálise tendo como objeto diferentes materialidades significantes (Lagazzi, 2010) cujo debate volte-se para as relações sociais na contemporaneidade. Serão acolhidos, assim, trabalhos que problematizem os cruzamentos e fronteiras das duas disciplinas, a desterritorialização de conceitos, as especificidades e tensões entre as diversas linguagens e as contribuições que tais articulações podem trazer à compreensão da sociedade atual.

Palavras-chave: AD/Psicanálise; Linguagem/Sociedade; Materialidades.

5. Discurso, arquivo, tecnologias de linguagem - Dantielli Assumpção Garcia (USP-Ribeirão Preto) e Juciele Pereira Dias (UFF)

Resumo: A noção de tecnologia, segundo Sylvain Auroux (1992, 1998), constitui-se por uma relação entre a escrita e a constituição das ciências da linguagem, em um processo que conduz a descrever e a instrumentar uma língua tendo por base duas tecnologias pilares do nosso saber metalinguístico: a gramática e o dicionário. O autor considera a gramatização como a segunda revolução técnico-linguística e a primeira revolução científica do mundo moderno, sem a qual as ciências modernas da natureza não teriam sido possíveis, tanto em sua construção quanto em sua circulação social. Na gramatização, essa ideia de revolução, segundo Auroux (1992), representa um movimento que afeta a vida social a longo termo, sem um efeito de "tábua rasa" dos conhecimentos do passado. Ainda, no que diz respeito às relações entre da invenção da escrita, ou seja, a primeira revolução técnico-linguística, com a gramatização, segunda revolução, questiona-se sobre a emergência de uma terceira revolução técnico-linguística, a partir da informatização (Auroux, 1998), que coloca a máquina em um atravessamento da relação homem-linguagem-mundo e das formas de administração da memória na contemporaneidade. Desse modo, com este simpósio, pretende-se reunir pesquisadores de diferentes campos de conhecimento – Análise de Discurso, História das Ideias Linguísticas, Ciências da Informação e Comunicação – que visem produzir discussões que (re)tomem/(re)elaborem aspectos fundamentais sobre a relação discurso-arquivo-tecnologias da linguagem, considerando como a informatização e a emergência do espaço digital (Orlandi, 2013), da internet, afetam as práticas discursivas e, por sua vez, esses conceitos e o modo como operacionalizá-los nas análises. Ademais, almeja-se discutir sobre a leitura do arquivo digital hoje e os sentidos produzidos pelas diferentes maneiras de se ler os fatos e acontecimentos cotidianos pela sociedade em rede no ciberespaço. Serão acolhidos temas como: Discurso e tecnologias de linguagem; Discurso e arquivo digital; Discurso e informática; Disciplinarização e instrumentos linguísticos; Memória Discursiva e Memória Metálica; Percursos temáticos de leitura do/no arquivo.

Palavras-chave: Discurso; Gramaticalização; Informatização; Linguagem.

6. Linguagem e tecnologias na produção e divisão dos saberes: a escola, a internet, a rua - Ana Claudia Fernandes Ferreira (Univás) e Carolina de Paula Machado (UFSCar)

Resumo: Este simpósio tem como objetivo discutir as relações de sentido entre linguagem e tecnologias considerando a produção e a divisão de saberes em diferentes espaços: a escola, a rua e a internet. Essa discussão pretende ser feita através de uma perspectiva que toma essas relações de sentido em sua materialidade histórica. Dessa perspectiva, propomos questões como: De que maneiras as relações entre linguagem e tecnologias vêm sendo pensadas e praticadas na escola? De que maneiras essas relações se (re)estruturam em outros espaços, como a internet e a rua? Como pensar essas relações na divisão dos saberes institucionalizados e dos saberes cotidianos nesses diferentes espaços? A partir dessas questões, os materiais de análise podem ser variados: a) materiais que envolvem relações entre linguagem e tecnologias na escola, como, por exemplo, livros didáticos, parâmetros curriculares (sem deixar de notar, lembrando Auroux (1992), que gramáticas e dicionários são instrumentos linguísticos tomados como tecnologias de linguagem); b) materiais que envolvem essas relações na internet, como, por exemplo, dicionários e enciclopédias virtuais, sites de notícias, redes sociais; c) materiais que envolvem essas relações na rua, como, por exemplo, instalações urbanas oficiais (sinalizações, informações, avisos), intervenções urbanas, conversas e manifestações. As análises podem ser direcionadas para a reflexão sobre um desses espaços ou pode toma-los em suas intersecções. Com as discussões deste Simpósio, esperamos fornecer elementos para uma compreensão sobre as injunções, tensões e contradições construídas nesses diferentes espaços, além de contribuir para o debate atual sobre linguagem, conhecimento e tecnologia de uma perspectiva que toma a linguagem como fundante nessas relações.

Palavras-chave: Linguagem; Tecnologias; Escola; Internet; Rua.

7. Circulação de pequenas frases e fórmulas - Lafayette Batista Melo (IFPB) e Roberto Leiser Baronas (UFSCar)

Resumo: As pesquisas que envolvem pequenas frases no âmbito dos estudos do discurso podem ser consideradas no viés materialista de Michel Pêcheux – por exemplo, no seu conhecido trabalho sobre o "On a gagné", ou nas formulações de enunciados que remetem a uma memória interdiscursiva e na compreensão de como certas palavras adquirem status de palavras-acontecimento, como é o trabalho de Moirand (2007) sobre os organismos geneticamente modificados, ou ainda os trabalhos de Krieg-Planque (2010, 2011) acerca das pequenas frases em política e das fórmulas discursivas. A época atual parece demandar estudos mais específicos de como circulam essas frases, já que os jornais, a televisão e a internet disseminam informações em uma escala cada vez mais ampla e variada, atingindo diversos segmentos populacionais e, consequentemente, as conversas cotidianas. Este simpósio tem como objetivo debater a maneira como circulam pequenas frases nos mais diversos suportes discursivos (jornais, livros, revistas, internet etc.) e dos mais diversos modos (como fragmentos de texto, rimas, fórmulas, slogans, máximas, frases célebres, epígrafes etc.). As noções de Maingueneau (2010, 2011, 2012 e 2014), que tratam de enunciados curtos, por exemplo, instigam a repensar os "enunciados destacados" de vários tipos (slogans, máximas, títulos, citações célebres, intertítulos etc.). Para o autor, há os enunciados constitutivos, que por sua própria natureza são independentes de um texto particular (como os provérbios, os slogans e as máximas) e os que são o resultado de extração de um fragmento de texto (em uma lógica de citação, como na reformulação de um excerto de um artigo para destaque em um título). Para Maingueneau, uma "frase sem texto" funciona sem que seja precedida ou seguida de outras frases, de modo a formar uma totalidade textual ligada a um gênero do discurso. Trata-se de uma frase que, por conta de sua constituição linguístico-discursiva, busca estar fora do texto, mantendo com este último uma relação de tensão. Para o teórico francês, estas frases sem texto são aforizações. A aforização, então, não tem mera diferença de um texto em relação a sua forma ou tamanho, mas constitui uma nova ordem enunciativa. Dentro desta linha do simpósio, vários temas poderão ser tratados, como o papel do suporte para destacar o que é dito em determinado contexto e fazê-lo circular em outro, bem como enquadrar interpretativamente esse destacamento, seja em um jornal impresso, em um programa de televisão ou em redes sociais. Além disso, começaram a circular em várias mídias uma quantidade de aforizações em um processo pandêmico ("panaforizações"), que ocorrem em um período curto, saindo e voltando para as diversas mídias com altíssima frequência. Exemplos de trabalho para análise dessas frases também são diversos, incluindo frases de manifestações, provérbios retomados e reformulados, títulos de reportagem ou artigos de opinião, bordões no formato de memes ou hashtags disseminados pelo Facebook e partes de declarações (de pessoas famosas ou não) que são destacadas e compartilhadas intensamente. Outra linha do simpósio considera a circulação de fórmulas discursivas (KRIEG-PLANQUE, 2010, 2011) na medida em que esses objetos cristalizam questões históricas, políticas e culturais, assim como sua natureza polêmica põe em relevo as relações de poder e de opinião em conflito no espaço social, à semelhança das pequenas frases. Dois fatores principais são considerados nessas pesquisas: 1) a heterogeneidade de recursos, impressos ou digitais, inclusive as especificidades na internet (Facebook, Youtube, Twitter, blogs dentre outros) e suas consequências para a discursividade e 2) a utilização de ferramentas (Google, Bing, funcionalidades de busca em redes sociais e blogs, repositórios de imagens, aplicativos de busca etc) e estratégias para constituição do corpus de pesquisa, na integração de ferramentas ou uso de comandos, programas e funções incomuns, mas que têm relação com o objetivo da pesquisa. Serão aceitos trabalhos que, por um lado, envolvam esses fatores, e, por outro, problematizem, trazendo novas abordagens para o campo dos estudos discursivos, contribuindo para o aprofundamento da compreensão de como tantas frases circulam, mudam e se apoiam em posições discursivas diferenciadas no momento histórico atual.

Palavras-chave: Frases; Fómulas; Circulação; Corpus; Aforização.

8. Recursos Retóricos do Processo Persuasivo sob enfoque da Gramática Sistêmico-Funcional - Marcelo Saparas (UFGD) e Sumiko Nishitani Ikeda (PUC-SP)

Resumo: O simpósio "Recursos Retóricos do Processo Persuasivo sob enfoque da Gramática Sistêmico-Funcional" estuda a relação entre a noção macro da ideologia e da persuasão com as noções micro das escolhas léxico-gramaticais dos discursos e das práticas sociais de membros de grupo, estabelecendo um elo entre o social e o individual, o social e o cognitivo. As pesquisas desenvolvem uma abordagem da Linguística Crítica, ao ligar o texto com o contexto, integrando a análise textual com processos de produção e de interpretação do discurso. Nesse sentido, adota um modelo analítico de três níveis. O primeiro nível, a superestrutura, refere-se a esquemas textuais que desempenham um papel importante na compreensão e na produção dos textos. Incluídas aí estão a estrutura temática hierarquizada dos textos, a organização geral em termos de temas e tópicos, que envolve as formas linguísticas concretas do texto, como as escolhas lexicais, variações sintáticas ou fonológicas, relações semânticas entre proposições e traços retóricos e estilísticos. Essas formas linguísticas no nível superficial implicam significados no terceiro nível, a estrutura profunda. Aqui, o analista da ADC examina, por exemplo, posições ideológicas subjacentes expressas por certas estruturas sintáticas como as construções passivas, ao omitir ou ao não enfatizar agentes da posição de sujeito ou atribuir maior poder a certos indivíduos ou grupos sociais por meio de escolhas retóricas específicas.

Palavras-chave: GSF; Discurso; Microestrutura do texto; Macroestrutura do texto; Linguística.

9. Discurso e Argumentação - Renata Palumbo (FMU) e Daniela da Silveira Miranda (USP-Sumaré)

Resumo: Compreender como a argumentação atua, o modo como é utilizada e seus possíveis efeitos têm sido de interesse desde a Tradição Clássica até os estudos contemporâneos que dela partem e a desdobram (Perelman e Olbrechts-Tyteca, 1958). Em especial, pesquisas nas quais se leva em conta a relação discurso e argumentação (Amossy, 2000, 2006, Aquino, 1997, 2005, Charaudeau, 2006, 2009, entre outros) vêm contribuindo para que se entenda a atividade de argumentar como prática social que envolve intersubjetividade, seleções linguísticas e fatores pragmáticos presentes em variados corpora em maior ou menor grau, uma vez que cada campo de atividade humana, junto a um projeto de dizer, fornece condição singular aos participantes, a permitir que eles acionem mecanismos de linguagem ímpares para agirem uns sobre os outros. Com efeito, pode-se afirmar que é na enunciação que se processam acentuadamente jogos estratégicos de argumentos a partir dos quais se modificam meios sociais, principalmente quando se analisam discursos políticos, jurídicos, religiosos etc. A fim de ampliar reflexões dessa ordem, a proposta deste simpósio consiste em reunir pesquisas que se voltem para a discussão acerca das atividades argumentativas do ponto de vista discursivo, a partir de diversos aportes metodológicos e com enfoque disciplinar ou interdisciplinar.

Palavras-chave: Discurso; Argumentação; Interação.

10. Linguagem nos entremeios: relação sujeito/língua/espaço/tecnologia - Águeda Aparecida da Cruz Borges (UFMT-CUA) e Ilka de Oliveira Mota (UNIR)

Resumo: É na e pela linguagem que se dá a possibilidade de aproximação ou distanciamento, de diálogos e reflexões nas mais diversas áreas do conhecimento. Sob a justificativa pautada, nessa possibilidade, se assenta a proposta para este simpósio. O nosso objetivo é juntar, na diferença, aquilo que nos une: a linguagem em distintas manifestações. As pessoas que compõem os Projetos de Pesquisa: ARTE, DISCURSO E PRÁTICA PEDAGÓGICA (UFMT/UEG/UFU-CNPq), sob a minha liderança e MULHERES em DISCURSO (UNICAMP/CNPq), do qual participamos, sob a coordenação da prof.ª Mónica Graciela Zoppi-Fontana, entendem que a ABRALIN oferece uma oportunidade significativa para mostrar resultados de produções advindas das pesquisas que vem sendo desenvolvidas, colocando-as em diálogo. O primeiro Grupo tem fundamentos na História das Ideias Linguísticas que se sustenta no tripé: conhecimento linguístico, Estado e Sociedade e na Análise de Discurso de linha francesa que possibilita compreender o funcionamento ideológico e o efeito de evidência, por exemplo, na relação sujeito/língua, na compreensão do sujeito (em específico indígena) com o espaço de vivência; nas práticas vinculadas à tecnologia e à mídia. O segundo Grupo, compreendendo gênero como uma construção discursiva, orienta a reflexão e análise acerca da articulação identitária de etnias, classe social e outras buscando, por exemplo, desestabilizar Identidades naturalizadas socialmente como, Feminilidade, Masculinidade, Sexualidade, Heteroafetifidade. Propomos o debate, de modo a trazer à tona sentidos que fundamentaram e/ou fundamentam as relações expostas. Nesse intento, vamos questionar práticas pedagógicas que se constituem pelo ensino de língua nacional; mostrar que o sujeito não-indígena significa delimitando o seu espaço e o do indígena, marcando-se a diferença, o preconceito, a invisibilidade, a negação, a brasilidade, a cidadania; problematizar a constituição dos sentidos numa relação necessária com as redes de memória, história e ideologia, tendo em vista que indígenas, nas suas experiências de uso da internet, constroem espaços de significação e discursos que circulam, formando uma rede de sentidos no ciberespaço. Ressaltamos, conforme Orlandi (1990, p. 159) "os discursos funcionam heterogeneamente, ou seja, um discurso traz em si a sua relação com vários outros, que contribuem igualmente para os seus efeitos de sentido". E esse funcionamento é passível de ser notado, a partir da análise de nosso material. Para sistematizar, pretendemos apontar possibilidades de trabalho/pesquisa/extensão com a língua/discurso, de modo a contribuir tanto para a pesquisa quanto para o ensino, em geral.

Palavras-chave: Sujeito/Língua; Sujeito/Espaço; Sujeito/Tecnologia.

11. Análise de discurso e suas bases epistemológicas: a importância do materialismo histórico - Amanda Eloina Scherer (UFSM) e Cristiane Pereira Dias (UNICAMP)

Resumo: Os anos 70, na França, foram aqueles em que a Análise de Discurso se constituiu, em torno de bases teóricas e políticas muito fortes. O marxismo certamente foi uma delas. Não eram essas duas instâncias - a teoria (história, linguística e psicanálise) e a política (a dos Partidos Comunistas) que se somavam em sua individualidade fundando um campo de conhecimento que temos na atualidade, mas era um pensamento teórico-político que se constituía no campo da linguagem, reunindo e deslocando a linguística e o materialismo histórico, no entremeio para fundar a análise de discurso que praticamos continuamente. Portanto, é no sentido de compreender a constituição desse pensamento teórico-político, em que a linguagem e a militância se formulam num espaço teórico (e acadêmico), a partir de determinadas condições de produção históricas, sociais e políticas, que propomos refletir nesse simpósio as bases epistemológicas do disciplinar sobre discurso. Levaremos em conta a discussão sobre produção de seus conceitos e de seu método para colocarmos como reflexão a tensão entre uma atividade militante e a pesquisa teórica, terreno no qual a Análise de Discurso se formula e se institucionaliza, principalmente, na França, naquela época, construindo, dessa forma, em seu aporte teórico e, em seu método, um lugar para se pensar e olhar, no que diz respeito ao funcionamento do político na linguagem. Estamos propondo como eixo fundador para a participação nesse simpósio: a) a relação entre discurso e ideologia; b) o materialismo histórico: conceitos e produção teórica; c) as ressignificações contemporâneas.

Palavras-chave: Epistemologia; Materialismo; Discurso; Ideologia; Ressignificação.

12. A ideologia e a memória na produção e na leitura/interpretação de textos-imagem nas redes sociais – José Simão Sobrinho (UFFS) e Maria Cleci Venturini (Unicentro)

Resumo: O século XXI significa fortemente pelo visual e pela tecnologia. Os sujeitos encontram-se ligados/atados constitutivamente nessas duas formas de linguagem, posto que na correria própria do mundo globalizado o sujeito está sempre alerta, com vistas a não perder o contato, o chamado e mesmo o instante em que o outro, dado pelo social e o Outro, enquanto seu duplo, clama por atenção, mais que por respostas. É assim que as redes sociais estão na palma da mão. É assim, também, que os textos-imagens ocupam lugar de destaque, considerando que o ver demanda olhar, mas nem sempre o parar, mesmo que o instante clame por sentidos e por respostas. Nesse sentido, acolhemos, nesse simpósio, resultados de pesquisas em torno do visual e da tecnologia, recortando a ideologia e a memória como dispositivos teóricos, à medida que se constituem como os fios que tecem/destecem redes de sentidos dadas pelo que se repete e pelo que rompe com o mesmo. Desse modo, a repetição pode resultar na institucionalização, no arquivo estabilizado, gerenciado pelas instituições e/ou para o rompimento da rede, dando lugar para o novo, para sentidos outros, apesar da ilusão do sujeito de ser origem do dizer. Com isso, não há que se falar em originalidade, uma vez que os sentidos decorrem do que esteve/está/estará em circulação a partir de sujeitos conformados por suas inscrições em posições ideológicas. Propomos, centrar no texto-imagem e nas tecnologias que constituem as redes sociais. Serão bem-vindos trabalhos que, tomando como objeto os processos de significação nas redes sociais, analisam o funcionamento discursivo do texto-imagem, investigam os mecanismos e propriedades da linguagem na textualização do discurso por meio do texto-imagem; refletem sobre a temporalidade do/no processo discursivo e sobre a constituição de subjetividades e laços sociais nas/pelas redes sociais, entre outros temas pertinentes. No que refere às tecnologias, buscamos pela instantaneidade do discurso e pelo modo como elas afetam os sujeitos, significando a pós-modernidade do olhar.

Palavras-chave: Ideologia; Memória; Leitura; Interpretação; Redes Socias.

13. Processos discursivos na edição de livros – Ana Maria Vilela (CEFET-MG) e Lilian Aparecida Arão (CEFET-MG)

Resumo: Desde o seu surgimento, o objeto livro suscita discussões instigantes. Mais recentemente, a polêmica que se instaurou foi sobre a sua sobrevivência frente aos avanços tecnológicos. Superada essa celeuma, queremos assim crer, criaram-se outros centros de investigações de diferentes áreas do saber, tais como estudos linguísticos sobre formas de escrituras e leitura. Na esteira do seu desenvolvimento, atividades profissionais foram surgindo para dar conta desse objeto que, segundo Borges (2002), é uma extensão do nosso pensamento e memória. E, a partir dessas "atividades de interferência" no texto original do autor, outras questões são colocadas como, por exemplo: até que ponto a intervenção de um revisor no texto de outra pessoa deixa marcas suas, gerando, por fim, um objeto polifônico? Como uma escolha sobre essa ou aquela forma de edição revela ou desvela um ethos do autor ou do editor? Até que ponto é possível ler o livro por diferentes entradas: o tema em si, a sua estrutura e o seu formato? O quanto essas entradas contribuem para leitura e entendimento sobre a obra e o autor? Questões como essas é que motivaram a proposição desse simpósio. Tomando como referencial epistemológico da Análise do Discurso nas suas mais diferentes vertentes, temos como objetivo discutir a revisão e a edição como um processo discursivo. Assim sendo consideramos o livro como um ato de linguagem em que as condições de produção e recepção são fundamentais para a sua compreensão. Para promover essa discussão e atingir o objetivo almejado, levamos em conta a pesquisa sobre ritos genéticos editoriais, de Salazar Salgado (2010) , fundamentada na proposta de Maingueneau (2006) que considera os ritos como procedimentos sistemáticos com vistas a referendar certas práticas relacionadas à gênese da obra em termos discursivos.

Palavras-chave: Análise do Discurso; Processo Discursivo; Revisão de Leitura; Revisão.

14. A linguagem verbo-visual em gêneros discursivos como subsídio ao ensino de leitura no Ensino Médio – Miriam Bauab Puzzo (UNITAU) e Eliana Vianna Brito Kozma (UNITAU)

Resumo: A linguagem verbo-visual é um dos desafios enfrentados pelos professores na atualidade. Tanto os meios de comunicação como as diversas formas de comunicação no universo virtual apresentam um modo de expressão articulado entre o verbal e o visual, com a qual os jovens se encontram mais familiarizados. Entretanto, apesar da preocupação em discutir essas formas de produção em várias linhas teóricas, ainda há muito para pesquisar. Embora Bakhtin e o Círculo não tenham tratado especificamente dos signos não-verbais, sugerem a possibilidade de pesquisa dessas linguagens, como discute Bakhtin/Volochínov em Marxismo e Filosofia da Linguagem ([1929]2006), Volochínov em La palavra en la vida y la palabra en la poesía ([1926]1997), Bakhtin em Estética da criação verbal ([1954] 2003). Também propiciaram pesquisas mais abrangentes como as de Haynes (1995) em relação à arte visual e a proposta de Brait (2013) que tangencia a relação entre as duas linguagens de modo não segmentado, em que a verbo-visualidade se constitui num todo integrado nas mais variadas formas enunciativas. Tendo em vista essa questão, este simpósio propõe a discussão dessa verbo-visualidade nos diversos gêneros discursivos jornalísticos e publicitários, na perspectiva dialógica do discurso, com o objetivo de subsidiar novas formas de ler, em especial aos alunos do Ensino Médio.

Palavras-chave: verbovisualidade; análise dialógica; gêneros discursivos.

 

Eixo 3: Aquisição da Linguagem

1. Facetas da relação sujeito-linguagem na clínica e na escola - Maria Francisca de Andrade Ferreira Lier-DeVitto (PUC-SP) e Sônia Facchihi (IST-Joinville)

Resumo: Neste simpósio são abordados aspectos teóricos e práticos de tropeços inevitáveis do sujeito na sua relação com a linguagem, assim como eventuais consequências que deles decorram. Admite-se que erros são acontecimentos, que se fazem notar de forma notável na escola (nas dificuldades manifestas na fala, na leitura ou na escrita) e, sem dúvida, na clínica (que tem que se haver com cristalizações indesejadas e inesperadas). Nesses espaços, não se pode ignorar a ocorrência de impasses na relação sujeito-linguagem – eles, de fato, são interrogantes. Os "erros" adquirem, portanto, estatuto de proposição problemática, já que convocam mais que uma descrição, i.e., envolvem discutir, ainda, o sofrimento do sujeito frente a suas inibições ou sintomas e a posição do professor ou do clínico de linguagem frente ao imprevisto de falas ou escritas. Em outras palavras, considera-se necessário enfrentar não só a fala/escrita, como também o mal-estar do sujeito na linguagem e aquele que remete a um sentimento do outro de estar desalojado da posição de saber. Digamos, então, que "erros" (sintomáticos ou não) desassossegam porque levantam uma questão central não só sobre o saber a língua, como também, sobre o saber sobre a língua. Esta questão é debatida neste Simpósio a partir de acontecimentos empíricos recolhidos de diferentes práticas que envolvem três áreas do conhecimento: Aquisição, Patologias e Clínica de Linguagem; Educação (alfabetização e letramento). As discussões aproximam-se do estruturalismo europeu e da psicanálise para refletir sobre a relação sujeito-linguagem, entendendo ser esta uma direção teórica produtiva quando se tem o "erro" como dado privilegiado. Aspectos relacionados à exclusão-inclusão escolar e profissional, decorrentes de impasses na clínica e na escola serão discutidos. Como dito acima, produções de fala e de escrita são trazidas para iluminar impasses da relação sujeito-linguagem.

Palavras-chave: Sujeito-linguagem; Falas sintomáticas; Alfabetização; Erros-Aquisição; Exclusão inicial.

 

Eixo 4: Ciências do Léxico

1. Estudos interculturais do léxico em territórios semiáridos – Cosme Batista dos Santos (UNEB) e Norma Lúcia Almeida (UEFS)

Resumo: As palavras são uma forma de acesso privilegiado à cultura ou uma das formas de conhecimento da realidade cultural de um povo e de uma região. É através da investigação sobre o léxico em seus aspectos lexiculturais que podemos, por exemplo,conhecer a carga cultural compartilhada entre grupos sociais e como essa carga cultural se manifesta através das palavras. A partir de uma perspectiva intercultural, esta proposta de simpósio aceita resultados de pesquisas em andamento sobre o léxico em territórios semiáridos. Alguns antecedentes de estudos nessa perspectiva são: o trabalho da pesquisadora Rita Queiroz, contendo uma análise do vocabulário popular sobre o campo da sexualidade contido na obra Tereza Batista Cansada de Guerraem um corpus de língua falada do semiárido baiano, pelo viés da Teoria dos Campos Lexicais, idealizada por Eugenio Coseriu (1977). A partir dessa obra, o trabalho apresenta as lexias representativas do universo popular através dos macrocampos Sexualidade e Qualificadores. O trabalho dos pesquisadores Clóvis Ramaiana Oliveira e Norma Lúcia Almeida, que analisa, com base no dicionário sertanejo (CARDOSO, Elisangela Isabel. Dicionário Regional de Uauá Bahia. Uauá: S/E, S/D, p. 70), as andanças e sentidos de palavras migrantes e do próprio processo migratório campo/cidade. Como resultados, o trabalho aponta que o falar rurícola é organizado a partir do princípio da experiência, ou seja, discute os falares que incorporam, na sua narrativa, o viver e o trabalhar, as experimentações cotidianas, os elementos da paisagem. E, por fim, o trabalho do pesquisador Cosme dos Santos que investiga a lexicografia de palavras estereotipadas em dicionários escolares de língua portuguesa, em uso no semiárido baiano. Assim, tomando com base os resultados apontados até o momento, os trabalhos para este simpósiodevem estudar o léxico, buscando concretizar propostas que levem à consolidação de pesquisas para os fatos lexicais e lexicográficos culturalmente relevantes, tendo em vista o fortalecimento da relação entre léxico e cultura e a abordagem intercultural de investigação da palavra em uso.

Palavras-chave: Lexicologia; Lexiculturalidade; Semiárido; Interculturalidade.

2. Diálogos sobre os estudos do léxico de línguas indígenas - Denise Silva (UNESP-Araraquara) e Cristina Martins Fargetti (UNESP-Araraquara)

Resumo: No Brasil, embora haja diversas estimativas sobre o número atual de línguas indígenas, considera-se que boa parte delas encontre-se ou em vias de extinção ou em situação de uso muito vulnerável. Este cenário de perigo sempre pôs em evidência a necessidade urgente de estudos sistematizados visando a sua descrição e a sua documentação. As pesquisas envolvendo o léxico de tais línguas têm contribuído para um conhecimento, com maior ou menor aprofundamento, da relação entre língua e cultura, bem como para a elaboração de dicionários, com possibilidades de melhor compreensão dos sistemas linguísticos em foco. Além de uma contribuição acadêmica, tais estudos vão de encontro com os anseios das comunidades indígenas, preocupadas com a perda linguística e com a valorização da língua materna. Nesse sentido, este simpósio propõe um espaço para o diálogo sobre os trabalhos realizados e em andamento que envolvam o léxico de línguas indígenas.

Palavras-chave: Línguas indígenas; Lexicologia; Lexicografia; Terminologia; Dicionários.

 

Eixo 5: Dialetologia e Sociolinguística

1. Variação e mudança linguística - Isabel de Oliveira e Silva Monguilhott (UFSC) e Cláudia Andrea Rost Snichelotto (UFFS)

Resumo: Propomos, neste simpósio, reunir trabalhos que tenham investigado ou estejam investigando, sob a perspectiva teórico-metodológica da Teoria da Variação e Mudança Linguística (cf. Weinreich, Labov e Herzog, 1968; Labov, 1972), fenômenos variáveis nos diferentes campos da linguística: fonética/fonologia, morfologia, sintaxe, semântica ou discurso. Do ponto de vista do recorte das análises, tanto investigações sincrônicas, quanto diacrônicas poderão ser apresentadas.

Palavras-chave: Variação; Mudança Linguística; Sincronia e Diacronia.

2. O falar da região norte do Brasil: variações dialetais e atlas linguísticos - Silvana Andrade Martins (UEA) e Maria Luíza de Carvalho Cruz-Cardoso (UFAM)

Resumo: No contexto do território brasileiro, a língua portuguesa apresenta variações dialetais nos campos da fonética, do léxico, da morfossintaxe. Entretanto, em referência ao conhecimento sobre a variação dialetal do português falado na região norte, geralmente, este é menor quando comparado ao que se conhece sobre a dialetologia e a variação linguística de outras regiões do país. Esse quadro se deve especialmente à dificuldade e onerosidade de se fazer pesquisa dessa natureza nesta região, devido a fatores como as grandes dimensões territoriais e as dificuldades logísticas e infraestruturais. No entanto, os pesquisadores brasileiros têm aceitado esse desafio e, principalmente, nos últimos dez anos, observa-se um aumento significativo da produção científica sobre a dialetologia e variação linguística do português falado nesta região, incluindo os estudos que tratam do contato do português com línguas indígenas, o que é especialmente uma particularidade da variação do português do norte. Assim sendo, neste simpósio, propõe-se reunir trabalhos que abordam sobre essa temática e apresentar também os atlas linguísticos já elaborados ou em fase de elaboração na região, com o intuito de aprofundar o conhecimento sobre variações expressivas do português do norte, de estimular pesquisas dessa natureza e, ao mesmo tempo, de evidenciar a maturação da pesquisa dialetológica no Norte do Brasil.

Palavras-chave: Dialetologia; Sociolinguística; Atlas linguístico; Variação; Português do Norte do Brasil.

3. Fenômenos gramaticais variáveis discutidos com a abordagem dos conhecimentos da Gramática Normativa e da Sociolinguística - Stella Maris Bortoni-Ricardo (UnB) e Paula Cobucci (UnB)

Resumo: Este Simpósio visa discutir os valores relacionados à padronização da língua portuguesa no Brasil e à legitimação conferida à variedade de prestígio pela sociedade. Seu objetivo é contribuir para a discussão e reflexão sobre tópicos de gramática, de fenômenos fonético-fonológicos, morfossintáticos e semânticos que ocorrem tanto na variedade de prestígio, considerada a "norma padrão", como nas variedades estigmatizadas, consideradas "não padrão", empregadas em vários contextos de uso, nas modalidades orais e também em alguns gêneros escritos, do português brasileiro. As discussões e as reflexões propostas podem ter como base exemplos da língua oral e escrita e se fundamentar na tradição da Gramática Normativa e nas pesquisas empíricas da Sociolinguística, principalmente na sua vertente variacionista. Nossa proposta é discutir a partir dos conhecimentos acumulados dessas duas áreas, com a finalidade de auxiliar na formação linguística de docentes da área de língua portuguesa. Propomos um simpósio sobre fenômenos gramaticais que envolvem a linguagem em uso, com suas variações, na modalidade oral e escrita, materializados em gêneros discursivos diversos, com a abordagem dos conhecimentos da Gramática Normativa e conhecimentos da Sociolinguística.

Palavras-chave: Fenômenos gramaticais; Variação; Sociolinguística; Gramática normativa; Língua oral e escrita.

4. Concordâncias e alternâncias: nós e a gente na língua portuguesa - Maria Marta Pereira Scherre (UFES) e Lilian Coutinho Yacovenco (UFES)

Resumo: O presente simpósio tem por objetivo discutir mecanismos de variação e mudança que envolvem os pronomes nós e a gente na língua portuguesa, com o intuito de congregar trabalhos com amostras urbanas e rurais e promover discussões a respeito do encaixamento linguístico e social (1) da concordância com o pronome nós; (2) da concordância com o pronome a gente; (3) e da alternância entre nós vs. a gente na sua relação com as concordâncias. Os participantes do presente simpósio são convidados a focalizar em seus trabalhos, em especial, mas não de forma exclusiva, as variáveis tempo/modo verbal e saliência fônica na relação singular plural, para discutirmos grandes tendências e princípios a elas subjacentes, que se revelam com o trabalho de Naro, Görski & Fernandes(1999) e se ampliam nos trabalhos de Naro, Scherre, Foeger & Benfica (2013) e Scherre, Naro, Mattos, Foeger & Benfica (2014), a saber: [1] desfaça a neutralização entre pretérito perfeito e presente (conversamos/ conversamos) [princípio de base funcional] - e reserve -mos para o pretérito perfeito, tempo de oposição singular/plural mais perceptível ou mais saliente (falou/falamos) [princípio de base cognitiva]; [2] utilize preferencialmente -mos para os casos sem neutralização entre pretérito perfeito e presente [princípio de base funcional], os quais são, em sua maioria, de oposição singular/plural mais perceptível, ou seja, mais saliente [princípio de base cognitiva]; [3] evite proparoxítonas, para se adequar ao padrão paroxítono, mais geral no português brasileiro (princípio de base estrutural), que envolve predominantemente o imperfeito do indicativo. Além disto, os proponentes são convidados a focalizar também o papel da faixa etária dos falantes, bem como o de aspectos mais urbanos ou mais rurais que caracterizam suas amostras, em inter-relação com as questões linguísticas apontadas acima, a fim de buscarmos entender de forma mais ampla mecanismos semelhantes e/ou diferentes adotados pelos diversos grupos sociais para resolver questões linguísticas que provocam ou que estão sujeitas a estigma, e/ou que apontam para aspectos identitários nas respectivas comunidades. As construções nós fala, nós falava, a gente falava, por exemplo, podem indicar diferentes estratégias adotadas por falantes diversos para resolver questões linguísticas mais amplas. O desafio que se coloca, enfim, é o real entendimento do que revelam efeitos associados a tempos e modos verbais, à saliência fônica da relação singular/plural, a faixas etárias, e a aspectos geográficos dos grupos de falantes de língua portuguesa, nos caminhos da variação e da mudança linguística com nós e a gente, em terras brasileiras e não brasileiras.

Palavras-chave: Concordância; Variação.

5. A interface da variação e da mudança linguística à luz da Sociolinguística e do (Sócio) Funcionalismo - Valéria Viana Sousa (UESB) e André Pedro da Silva (UFRPE)

Resumo: Se por um lado, registra-se, no século XX, o nascimento da ciência linguística e a consequente difusão do Estruturalismo e do Gerativismo, teorias linguísticas na qual permeia a concepção da homogeneidade da língua, é, também, neste mesmo século, que surgem teorias voltadas aos estudos da variação e da mudança linguística, cujas pesquisas objetivam, sobretudo, constatar a heterogeneidade linguística. Em 1964, foi realizado na Universidade da Califórnia/Los Angeles (UCLA), um congresso sobre as dimensões da sociolinguística. A Teoria Sociolinguística Variacionista, propagada e, consequentemente, difundida, principalmente, por Weinreich, Labov e Herzog, tem como princípios o diálogo entre língua e sociedade e, assim, a correlação entre as variáveis linguísticas e as variáveis sociais. A Sociolinguística no Brasil, área de pesquisa efetivamente consolidada, enfatizou a pesquisa sincrônica em suas descrições da fala sobre o português no território nacional a partir da década de 70 até o final do século XX, em paralelo à produção internacional da área que se encontra sintetizada em Labov (1972,1994 e 2000). Um dos objetivos relevantes desta teoria consiste em fornecer subsídios metateóricos para construção de um modelo de mudança mais definido e adequado. No intuito de se compreender melhor os dois níveis em que a mudança afeta, seja ao indivíduo, seja a sociedade, surgem alguns questionamentos pontuais, como: Que processos de variação podem levar à mudança? Por que caminhos a mudança se dá? As mudanças são direcionadas por princípios? Que princípios governam essa direcionalidade? Como as mudanças se encaixam no sistema? Ao lado dessa corrente teórica que tinha tais preocupações,na década de 70, ressurge ( com Hopper,1980,1987,1993;Heine,1991; Givón,1971,1995; Neves, 1997,1999,2002, entre outros)uma outra teoria que considera a linguagem como espaço e instrumento de interação social e que procura compreender, no uso efetivo da língua, a motivação para os fatos linguísticos. Ambas teorias, possuem as suas particularidades, mas, de forma consensual, buscam o reconhecimento de que os fenômenos linguísticos sempre estiveram sujeitos e sensíveis à variação e à mudança linguística, embora, a rigor, tais questões tenham sido minimizadas no cerne nos estudos iniciais da língua. Passados 50 anos do primeiro congresso no qual foram discutidas questões sociolinguísticas, propomos, no IX Congresso Internacional da Associação Brasileira de Linguística - Abralin, um simpósiotemático no qual sejam apresentadas e discutidas questões referentes aos fenômenos de variação e mudança linguística. Neste momento, além de termos interesse em pesquisas que possuam como aporte teórico a Sociolinguística Laboviana, também, contemplaremos pesquisas voltadas ao (Socio)Funcionalismo. As pesquisas apresentadas poderão ter seus estudos concentrados nas áreas da fonética/fonologia, morfossintaxe e semântico-pragmático-discursiva, poderão dialogar sobre os fenômenos de variação e mudança linguística no espaço escolar e deverão ser orientadas e estarem ancoradas (1) na concepção de linguagem como atividade sociocultural; (2) no reconhecimento de dinamicidade constante da língua e da heterogeneidade linguística; (3) no efetivo uso da língua e na correlação da frequência de uso das variáveis linguísticas às variáveis extralinguísticas em perspectiva diacrônica ou sincrônica. Assim, no Simpósio A Interface da variação e da mudança linguística à luz da Sociolinguística e do (Sócio) Funcionalismo, discutiremos, a partir da perspectiva apresentada, de que modo as variáveis sociais atuam em casos de variação estável e de mudança em progresso, à luz da sociolinguística, ou em casos de estratificação e de especialização, à luz do (sócio)funcionalismo e a participação lexical, morfossintática, discursivo- pragmático e semântica em fenômenos de variação e mudança linguística em uma perspectiva diacrônica e/ou sincrônica.

Palavras-chave: Variação; Sociolinguística; Funcionalismo; Sociofuncionalismo; Estudos pancrônicos.

6. Estudos sociolinguísticos: descrição e mapeamento de categorias verbais no português do Brasil - Hebe Macedo de Carvalho (UFC) e Tatiana Schwochow Pimpão (UFRG)

Resumo: Este simpósio tem por objetivo reunir trabalhos da área da sociolinguística e/ou de abordagem sociofuncionalista, voltados para a análise e a descrição de fenômenos variáveis/em mudança com vistas a reunir estudos desse campo do conhecimento e aprofundar a discussão sobre a relação entre variação/mudança em categorias verbais, a partir de um olhar teórico-metodológico de estudos sociolinguísticos, funcionalistas e discursivos. Sendo as categorias verbais codificadoras de domínios funcionais complexos de tempo, aspecto e modalidade (GIVÓN, 1984;GIVÓN, 1995) parte-se do princípio de que elas são condicionadas por fatores linguísticos e extralinguístico e estão sujeitas a pressões de uso que, potencialmente, podem motivar variação e mudança na sua estrutura paradigmática. Tendo em vista estudos realizados sobre as categorias verbais em variação/mudança no português do Brasil (COSTA, 1990; GIBBON, 2000; COAN, 2003; CARVALHO, 2007; FAGUNDES, 2007; FREITAG, 2007; PIMPÃO, 2009; ALMEIDA, 2010; BARBOSA, 2011; PIMPÃO, 2012) e considerando o português falado num país de extensão continental como o Brasil, neste simpósio pretende-se congregar estudos que investiguem as categorias verbais nas suas diversas variedades regionais, faladas ou escritas, em sincronia ou diacronia. Estudos sobre outras línguas também serão bem vindos por auxiliar e aprofundar a discussão/reflexão sobre variação/mudança com foco nas categorias verbais e proporcionar possíveis reflexões de cunho comparativo.

Palavras-chave: Sociolinguístico; Sociofuncionalista; Variação; Categorias verbais.

7. A Sociolinguística na escola - Lucia F. Mendonça Cyranka (UFJF) e Edila Vianna da Silva (UFF)

Resumo: Os estudos na área de Sociolinguística Variacionista abriram importante horizonte para a educação, tendo motivado a proposição de uma subárea, a Sociolinguística Educacional (BORTONI-RICARDO, 2004). Investigações em sala de aula têm revelado grave inadequação na abordagem da questão da heterogeneidade linguística e têm constatado a tradição que chega mesmo a negar esse fenômeno inerente a toda língua, tratando-a, ao contrário, como homogênea e organizada a partir de uma norma estabelecida como a única legítima e correta. Tudo indica ser essa uma importante distorção no processo de educação linguística dos alunos brasileiros, agravada pelo processo de democratização do ensino no Brasil, que abriu as portas da escola básica para falantes de variedades linguísticas desprestigiadas que passaram a frequentar a escola juntamente com competentes falantes da chamada variedade urbana comum (PRETI, 1997). Ora, o processo de educação linguística requer que se parta da variedade trazida pelo aluno, isto é, a que ele domina, para levá-lo a ampliar sua competência, tornando-se também usuário das variedades cultas, prestigiadas da língua portuguesa. Por outro lado, o processo de ampliação de competência de uso da língua portuguesa, tanto na modalidade oral quanto na escrita, oferece também grande desafio para aqueles alunos falantes dessa variedade urbana comum, prestigiada. Como responder a esse importante desafio? Sem dúvida, para isso, é necessário que se construa uma pedagogia da variação linguística (FARACO, 2008). Nesse sentido, o conceito de norma precisa ser redefinido, devendo ser tratado a partir da perspectiva coserina (COSERIU [1952]1979), para que se chegue a uma abordagem mais científica e democrática da língua portuguesa na escola. Daí a importância de se definir os principais desafios para essa perspectiva: Como se trabalhar a variação linguística na escola? Que estudos sobre os processos variáveis podem ser implementados, respeitando os diferentes níveis dos alunos da escola básica? As variedades linguísticas desprestigiadas devem ser alvo de reflexão linguística na escola, tanto quanto as variedades cultas? O preconceito linguístico é, realmente, uma questão controversa, devendo constituir aspecto importante a ser estudado e discutido com os alunos? A Sociolinguística Educacional oferece estratégias didáticas para esse estudo? Será, realmente, possível um trabalho de qualidade com a Sociolinguística Educacional, centrado nos gêneros textuais tomados como forma de ação pela linguagem, estando, portanto, vinculados às condições de produção? Todas essas questões devem levar em conta a heterogeneidade linguística, a variação e a mudança como perspectiva teórica essencialmente vinculada às estratégias pedagógicas adotadas. Esse parece ser um caminho que se abre na luta contra o insucesso da escola, na sua grave tarefa de formar leitores e escritores maduros, capazes de atuar na sociedade com eficiência e autonomia.

Palavras-chave: Variação linguística; Ensino; Norma linguística; Gêneros textuais.

8. Multilinguismo africano: passado e presente - Margarida Maria Taddoni Petter (USP) e Evani de Carvalho Viotti (USP)

Resumo: O objetivo deste simpósio é congregar descrições e análises de línguas africanas; do contato entre elas; do contato que elas tiveram com línguas europeias; e das línguas vernáculas que emergiram dessas situações de contato. São de particular interesse os estudos sobre línguas faladas nas regiões da África que fizeram parte do império português, e sobre as variedades de português que emergiram nessas regiões e em outras antigas colônias portuguesas para as quais línguas africanas foram transplantadas, especialmente o Brasil. Os trabalhos a ser discutidos podem tratar de questões diacrônicas e sincrônicas relativas a qualquer nível de análise linguística.

Palavras-chave: Línguas Africanas; Contato de línguas; Multilinguismo; Português brasileiro; Português africano.

9. O Contato linguístico em uso e documentação por falantes de diferentes línguas - Maria Odileiz Sousa Cruz (UFRR) e Mônica Maria Guimarães Savedra (UFF)

Resumo: O Contato linguístico entre falantes de diferentes línguas mantém-se como um fluxo contínuo na constituição das diversas sociedades, resultando em diferentes comunidades de fala. Tais comunidades são construídas pelo resultado de processos de natureza etno-linguística e cultural, processos históricos e processos geográficos de (i) migração e fronteiras. Para discutir os diversos processos e fenômenos que envolvem diferentes situações de contato em movimento, o presente simpósio busca agregar pesquisadores interessados em debater os seguintes subtemas: a)Interferências de línguas majoritárias junto à línguas minoritárias (tanto alóctones como autóctones); b) alternância de código, code-mixing e transferência linguística; c) documentação de línguas. Neste simpósio podem participar trabalhos concluídos ou em curso desde que apresentem resultados balizados por vertentes teóricas que se encaixem junto ao subtema escolhido.

Palavras-chave: Sociolinguística; Contato linguística; Documentação; Transferência; Code-mixing.

10. O Português em contato com outras línguas – Alan Norman Baxter (UFBA) e Beatriz Protti Christino (UFRJ)

Resumo: Ao longo de sua história, o português tem estado em contacto com outras línguas, que compreendem uma rica diversidade tipológica: línguas românicas, como o mirandês, em Portugal e o espanhol em Portugal e no Brasil; línguas crioulas com base portuguesa em Portugal e na África; línguas crioulas de base francesa no Amapá, Brasil; línguas de imigrantes no Brasil (incluindo, entre outros, o japonês e vários dialetos do italiano, alemão e holandês); e diversas línguas indígenas: várias famílias indígenas do Brasil; a família bantu de Angola e Moçambique; línguas do grupo atlântico ocidental e línguas mande da Guiné-Bissau; línguas austronésias e papuas em Timor; línguas chinesas em Macau, e línguas índicas em Goa, Damão e Diu, na Índia. Em alguns casos, o contato linguístico produziu um bilinguismo estável, enquanto em outros, ele resultou em um bilingüismo instável, com mudança de língua na direção do português, duas situações que, historicamente, envolvem aquisição de português inicialmente como L2. Em tais cenários sociolinguísticos, o contato deu lugar a processos de convergência, transferência e gramaticalização, com diferentes graus de intensidade. A aquisição de linguagem nestes contextos fixou os produtos dos processos acima mencionados, resultando em novas variedades de português. Em situações de contato linguístico mais radical, onde o acesso a modelos de português falado como L1 era, ou é restrito, devido a fatores históricos e demográficos específicas, as forças sociolinguísticos conspiraram para derivar línguas novas com base lexical portuguesa, mas com gramáticas originais: as línguas crioulas de base lexical portuguesa.

Palavras-chave: Contato Linguístico; Gramaticalização; Transferência; Convergência; Aquisição.

11. Projeto ALiB: no caminho de novos e velhos traçados do português brasileiro – Jacyra Andrade Mota (UFBA) e Vanderci de Andrade Aguilera (UEL)

Resumo: A história do Atlas linguístico do Brasil pode ser contada a partir do Decreto nº 30.643, de 20 de Março de 1952, nos termos em que instituiu o Centro de Pesquisas da Casa de Rui Barbosa e dispôs sobre seu funcionamento: "Art. 1º Fica instituído, na Casa de Rui Barbosa, o Centro de Pesquisas da Casa de Rui Barbosa. (...) Art. 3º O Centro em referencia compreenderá, inicialmente, duas Secções: a de Direito e a de Filologia, dirigidas cada qual por uma Comissão de especialistas convidados pelo Ministro da Educação e Saúde, mediante parecer do Diretor da Casa de Rui Barbosa. §3º A Comissão de Filologia promoverá pesquisas em todo o vasto campo de filologia portuguesa-fonologia, morfológicas, sintáticas léxicas, etimológicas, métricas, onomatológicas, dialetológicas, bibliográficas, históricas, literárias, problemas de texto, de fontes, de autoria, de influências, sendo sua finalidade principal a elaboração do "Atlas Lingüístico do Brasil" ". (Disponível em: http://www2.camara.gov.br/legin/fed/decret/1950-1959/decreto-30643-20-marco-1952-339719-publicacaooriginal-1-pe.html). Decorridos mais de 60 anos e desvinculado da Casa de Rui Barbosa, o Atlas linguístico do Brasil já se tornou uma realidade uma vez que, em outubro de 2014, publicados pela Editora da Universidade Estadual de Londrina, vêm à luz seus primeiros volumes, organizados por um grupo de pesquisadores de várias Instituições de Ensino Superior do Brasil e coordenado por um Comitê Nacional sob a direção de Suzana Marcelino Cardoso, da Universidade Federal da Bahia. Diante desse evento, este Simpósio tem como objetivos: (i) congregar os pesquisadores alibianos para discutir a participação de cada um nas várias etapas da elaboração do ALiB e programar os volumes subsequentes; (ii) apresentar estudos de natureza fonética, lexical, morfossintática e de crenças e atitudes linguísticas com base no corpus do referido Projeto; (iii) propor uma discussão da divisão dialetal do Brasil por meio dos dados urbanos e mais recentes e compará-la com a proposta de Nascentes (1953). São convidados os pesquisadores que atuaram na equipe do ALiB nas mais diversas etapas e também os que se serviram do corpus informatizado para elaborar suas pesquisas nos níveis de especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado. As discussões terão como escopo não só os fatores diatópicos como os diageracionais, diassexuais e diastráticos, de acordo com a linha metodológica da Geolinguística Pluridimensional Contemporânea, adotada na constituição do corpus, que determinou o registro de 1.100 informantes, estratificados quanto à faixa etária, ao sexo e, nas capitais, também à escolaridade.

Palavras-chave: ALiB; Divisão Dialética; Geolinguística; Variação; Português do Brasil.

 

Eixo 6: Ensino/Aprendizagem de Línguas

1. Dialogismo, interação em práticas de linguagem no ensino de línguas - Marcia Cristina Greco Ohuschi (UFPA-Castanhal) e Renilson José Menegassi (UEM)

Resumo: As práticas de linguagem estabelecidas em situações de ensino de línguas (materna e estrangeira) são realizações efetivas no sistema escolar brasileiro, considerando-se as tradicionais já estabelecidas pela literatura em Linguística Aplicada: leitura, produção textual e análise linguística/gramática. Assim, sob o viés do dialogismo bakhtiniano, discutido pela Análise Dialógica do Discurso e pelo Interacionismo Sócio-Discursivo, tendo a concepção dialógica de linguagem como pressuposto, bem como a concepção interacionista de ensino de línguas, este Simpósio objetiva congraçar pesquisadores, professores, estudantes e demais interessados a discutir como as práticas de linguagem estão sendo estudadas, pesquisadas, trabalhadas, ensinadas, aprendidas, constituídas, sistematizadas e apropriadas em situação de ensino e aprendizagem atualmente. Dessa forma, considera-se que há vários avanços nas discussões teórico-metodológicas efetivadas nos últimos anos sobre o tema, que precisam ser discutidas e divulgadas de maneira efetiva entre os pares, como se pretende neste Simpósio. Nesse sentido, além das perspectivas teóricas apontadas, são observadas e consideradas investigações acerca das práticas de linguagem também por outros escopos, como Psicolinguística, Linguística Enunciativa, Gêneros Discursivos/Textuais, Linguística Textual, Análise do Discurso, Sociolinguística entre outros, que consolidam campo de trabalho e investigação em franco desenvolvimento nas pesquisas sobre ensino e aprendizagem de línguas no Brasil. Desse modo, o Simpósio "Dialogismo, interação em práticas de linguagem no ensino de línguas" tem por objetivo reunir pesquisadores que desenvolvam estudos e pesquisas sobre o tema, preferencialmente em situação de ensino e aprendizagem, sejam eles em abordagens teórica, aplicada ou teórico-metodológica.

Palavras-chave: Dialogismo; Interação; Práticas Linguísticas; Ensino de Língua.

2. Discursos sobre (ensino-aprendizagem de) línguas na mídia - Lucielena Mendonça de Lima (UFG) e Fernando Zolin Vesz (IFMG)

Resumo: Pesquisas que enfatizam a relação entre mídia e sociedade têm se mostrado profícuos espaços para a compreensão de nossas vidas sociais e políticas nos dias de hoje (Kellner, 2001; Thompson, 2011). Dessa forma, compreender os discursos construídos em textos produzidos pela mídia pode contribuir para a (des)construção de diversas instâncias da vida social, no sentido de identificar o modo como a mídia produz significados que influenciam nossos modos de compreender a vida social. Tal caminho, portanto, pode nos conduzir à (re)discussão dessas instâncias, como os significados que são atribuídos pela mídia às línguas e/ou ao seu ensino-aprendizagem – por exemplo, essa língua é mais fácil para aprender, aquela é imprescindível para a inserção no mercado de trabalho, etc. Daí a importância do conceito de discurso, que, em sua vertente foucaultiana, passa a ser entendido como uma prática – não apenas nomeia como também cria sentidos que, em seus efeitos, parecem reais. E, por parecerem reais, têm efeitos de verdade. O objetivo deste simpósio temático é reunir pesquisas que investigam os discursos sobre as línguas e/ou ao seu ensino-aprendizagem, construídos em textos produzidos pela mídia brasileira e/ou estrangeira, em suas mais diversas formas, com o propósito de identificar esses discursos, e os efeitos de verdade que constroem.

Palavras-chave: Discurso; Línguas; Mídias; Ensino-Aprendizagem; Efeitos de verdade.

3. Ensinar e aprender português na era da globalização: um desafio para a formação escolar em aulas de LP - Cristiane Dominiqui Vieira Burlamaqui (UEPA) e Maria do Perpétuo Socorro Cardoso da Silva (UNAMA)

Resumo: A defasagem entre o que a escola propõe nas atividades práticas de leitura e escrita, e o contato com o gênero hipertextual presente nos novos suportes e instrumentos culturais da contemporaneidade, como o computador e a internet (FREITAS & COSTA, 2006), trazem para o contexto do ensino de língua materna a necessidade de novas experiências de leitura e escrita mediadas por essas tecnologias. O gênero hipertextual, material textual próprio das tecnologias digitais, ao redimensionar o espaço e o tempo da atividade de leitura e escrita, requer outras habilidades linguístico-cognitivas para a recepção e a produção textual, no acesso e seleção das informações e, ainda, para as práticas de inserção e de interação em rede (MARCUSCHI & XAVIER, 2005). Apesar de apresentar algumas similaridades com as atividades de oralidade e escrita tradicionais, os novos paradigmas que emergiram em conjunto com as demandas tecnológicas, constituem o novo cenário para experiências no espaço escolar e consequente problemática para as pesquisas acadêmicas. Pesquisas na área têm proporcionado uma visão mais ampla dos potenciais usos das TIC no ensino de língua materna (ARAÚJO, 2007; COSCARELLI, 2006; FREITAS, 2006; MARCUSCHI E XAVIER, 2005) e demonstram como a incorporação dos inúmeros recursos digitais no contexto do ensino formal proporcionam a reflexão sobre a natureza epistemológica dos saberes ensinados nas aulas de língua materna, os processos de mediação e a relação escola e sociedade. Rojo (2012, 2013) ressalta a importância de garantir práticas sociais com a língua que envolvam os instrumentos ou as "técnicas globalizantes" (SANTOS, 2006) utilizadas cotidianamente pelo sujeito contemporâneo – o multiletramentos –, e é neste contexto de contingenciais propostas para o ensino de línguas mediado pelas tecnologias digitais que este simpósio propõe reunir pesquisas em torno de questões que envolvem ensinar e aprender língua portuguesa na era da globalização.

Palavras-chave: Ensino de Língua Portuguesa; TICs no Ensino; Globalização; Multiletramento.

4. Gramática de construções e ensino de língua materna - Mariangela Rios de Oliveira (UFF) e Maria Angélica Furtado da Cunha (UFRN)

Resumo: Este simpósio, com base na orientação teórica da linguística centrada no uso, conforme Bybee (2010) e Traugott e Trousdale (2013), entre outros, se propõe, por um lado, a discutir como a gramaticalização, em nível sincrônico, afeta e molda a categorização gramatical do PB e, por outro lado, como esse processo é considerado na sala de aula do Ensino Básico. Para tanto, são analisados processos de variação linguística, em contextos distintos do uso contemporâneo, detectados em variados gêneros, falados ou escritos, que circulam no país. Compatibilizando pressupostos funcionalistas e cognitivistas, como apresentados no Brasil por Martelotta (2012), Oliveira (2012) e Furtado da Cunha et al. (2013), os membros deste simpósio examinam como a gramaticalização, entendida também como mudança construcional, nos termos de Traugott (2012), acaba por moldar a gramática da língua e implicar diluição de fronteiras categoriais mais nítidas. Nessa perspectiva, um modo de dizer fortuito e motivado por fatores de ordem pragmático-discursiva pode se tornar, via repetição frequente, uma expressão fortemente esquemática e convencional, em termos de sentido e estrutura, cumpridora de uma nova função, de estatuto mais gramatical. Em outros termos, o que era livre escolha passa a ser idiomático, conforme postulam Erman e Warren (2000), e os novos usos, com maior vinculação entre si, se tornam mais abstratos e (inter)subjetivos. Como resultado da gradiência categorial do PB, a polissemia e a variabilidade linguísticas são contempladas nos debates, a partir dos contextos de sua ocorrência – as sequências tipológicas e os gêneros discursivos. A variação linguística é tomada, pois, como um processo a ser assumido e trabalhado, em abordagem holística, nos diversos níveis de ensino, dado que é traço inerente e mesmo constitutivo das línguas, em maior ou menor grau. Considera-se que tal concepção deve ser levada em conta na tarefa de análise e reflexão linguística na sala de aula de LP.

Palavras-chave: Ensino; Língua Portuguesa; Construção; Funcionalismo; Sintaxe.

5. Oralidade e teatro no ensino de Línguas e Literaturas - Maria da Glória Magalhães dos Reis (UnB) e Eduardo Dias da Silva (SEEDF)

Resumo: Com o intuito de ampliar as pesquisas sobre as contribuições das Práticas teatrais no desenvolvimento da expressão crítica tanto oral quanto escrita, propomos o presente simpósio com o objetivo de contribuir no debate sobre a formação continuada dos professores de línguas e literaturas (materna e estrangeira) com reflexões e sugestões de atividades a serem desenvolvidas junto aos alunos da educação básica. A partir desse objetivo principal, visamos refletir sobre o texto dramático, a improvisação e os jogos, verificando a potencialidade de seu uso de forma a auxiliar os professores de línguas e literaturas (materna e estrangeira) no desenvolvimento de práticas discursivas e críticas em sala de aula. Por intermédio desta discussão, que se quer teórico e prática, pretendemos colaborar com a reflexão do professor ao enfrentar o desafio de dar conta do currículo formal, dos conteúdos e atividades sem que perca de vista a importância de formar cidadãos críticos e criativos, com sensibilidade estética e ética. O professor pode se sentir desmunido ao abordar textos dramáticos, talvez até em função de sua pouca familiaridade com o gênero. Apenas uma leitura que não envolva o corpo, a voz e as emoções do texto dramático pode não encorajar o aluno a mergulhar nesse universo. Cabe ressaltar que nossas reflexões levam em conta que o processo de formar um educando crítico capaz de se expor criativa e eticamente no mundo de forma oral e escrita necessita de um professor que o encoraje e estimule a realizar uma experiência viva com os discursos de forma geral e com o texto dramático de forma particular. O simpósio pretende-se interdisciplinar e transdisciplinar, com o propósito de estabelecer um diálogo com as áreas da Linguística Aplicada, Literaturas e Educação.

Palavras-chave: Ensino-Aprendizagem; Formação; Línguas; Literaturas; Interdisciplinaridade.

6. Ensino e aprendizagem de línguas na perspectiva da teoria da complexidade/caos - Walkyria Magno e Silva (UFPA) e Elaine Ferreira do Vale Borges (UEPG)

Resumo: Com os trabalhos de Larsen-Freeman (1997) e Larsen-Freeman e Cameron (2008) sobre a aquisição de segunda língua como um sistema adaptativo complexo (SAC), diversos estudiosos têm desenvolvido pesquisas sobre diferentes temas no campo da linguística aplicada analisados à luz da complexidade/caos. Características como a não linearidade, a emergência, a dinamicidade, a auto-organização e a (co)adaptação têm sido demonstradas em trajetórias de aprendizagem em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil (FINCH, 2010; KRAMSCH, 2012; MERCER, 2011; PAIVA, 2005; PAIVA; NASCIMENTO, 2009). No que se refere ao ensino, esforços também têm sido feitos na tentativa de se desvelar a complexidade subjacente às ações do professor em sala de aula (BORGES; PAIVA, 2011). Neste simpósio abre-se espaço para a discussão de pesquisas concluídas ou em andamento com este enfoque teórico.

Palavras-chave: Ensino de Língua; Aprendizagem; Complexidade; Teoria do Caos.

7. Ensino de Leitura e Avaliação das habilidades: propostas para o ensino de línguas e a formação de professores - Robson Santos de Carvalho (Unifal-MG) e Ana Silvia Moço Aparício (USCS)

Resumo: O ensino da leitura tem sido revisitado por trabalhos recentes que apontam para a importância do desenvolvimento das habilidades na construção da competência leitora dos alunos. Nesse sentido, o ensino de Língua enfrenta o desafio de incorporar novos parâmetros e nova concepção de avaliação. A prática da avaliação tem passado por importantes transformações nos últimos anos e o interesse por estudos e pesquisas nesse campo tem-se ampliado. Algumas experiências práticas de formação, como as do PIBID e do estágio supervisionado, dão conta do quanto faz-se primordial uma mudança na perspectiva docente no tocante ao ensino e à avaliação em Língua. Por isso, o debate em torno do tema, bem como a socialização dos trabalhos e experiências desenvolvidas atualmente é nosso objetivo. Assim, este Simpósio visa debater a temática do Ensino da leitura e da Avaliação das habilidades de leitura como elemento do ato pedagógico (LUCKESI, 2011), e ainda suas repercussões na formação de professores. Busca-se também discutir as relações entre o desempenho de alunos em provas de língua (materna e estrangeira) e a natureza das questões que compõem tais avaliações, destacando a noção de avaliação como elemento norteador de ações pedagógicas voltadas para o domínio das habilidades. Ainda podem contribuir com este espaço de discussão, concepções de gênero e de ensino de gêneros, conceitos de textualidade e textualização, bem como abordagens de formação, inicial e/ou continuada, de professores de línguas.

Palavras-chave: Leitura; Habilidades; Avaliação; Textualização; Formação.

8. Perspectivas sistêmico-funcionais em práticas de ensino-aprendizagem de línguas - Alda Maria Coimbra Aguilar Maciel (UFRJ) e Leila Barbara (PUC-SP)

Resumo: O cenário atual no qual se inserem os processos de ensino e aprendizagem de línguas tem se apresentado progressivamente mais produtivo e complexo e, portanto, tem se constituído em um contexto no qual linguistas e professores de línguas encontram desafios de diversas ordens.Neste cenário,o enquadre teórico e a metodologia de análise textual propostos pela Linguística Sistêmico-Funcional (LSF) estabelecem um caminho fértil de interlocução com a área do ensino-aprendizagem de línguas, pois exploram a vinculação entre as estruturas gramaticais e os seus contextos de uso. Sendo assim, em virtude de sua aplicabilidade para o ensino e aprendizagem de línguas,a metodologia da LSF tem sido proposta em práticas de sala de aula em múltiplos contextos de ensino-aprendizagem de línguas materna e estrangeiras (Fundamental, Médio, Técnico e Superior). Neste sentido, considerando-se a produtividade e a aplicação do arcabouço da LSF para o ensino-aprendizagem de línguas, o presente simpósio tem como objetivo congregar trabalhos que apresentem propostas que exponham este referencial teórico em prática em diversos contextos educacionais e em diferentes modalidades (presencial, semipresencial, a distância).Espera-se que este fórum:(a) estabeleça um espaço de interação para linguistas e docentes que pretendam participar de discussões teóricas e compartilhar resultados de pesquisas sobre metodologias e práticas de ensino inovadoras para o ensino e aprendizagem de línguas e (b) favoreça a construção de vínculos entes estes pesquisadores e as instituições por eles representadas.Almeja-se que os diálogos tecidos neste simpósio temático problematize questões linguísticas inerentes aos processos de ensino e aprendizagem de línguas e considere perspectivas sistêmico-funcionais para estes processos.

Palavras-chave: Linguística Sistêmica; Ensino-Aprendizagem; Práticas Inovadoras.

9. Aproximações multidisciplinares: o contexto contemporâneo da formação de professores, ensino e aprendizagem de línguas - Lívia Márcia Tiba Rádis Baptista (UFC) e Antonio Messia Nogueira (UFC)

Resumo: Os processos de formação de professores, ensino e aprendizagem de línguas constituem uma complexa realidade, haja vista as múltiplas dimensões que os compõem e as diversas abordagens teóricas e metodológicas que sobre esses têm se voltado. Sendo assim, as relações entre os sujeitos aprendentes com a construção dos conhecimentos e a mediação dessa construção nos diferentes contextos e modalidades de ensino têm sido foco de investigações que, em sua totalidade, estabelecem um campo de saber cada vez mais amplo e para o qual convergem distintos olhares epistemológicos. Em face dessa realidade, o presente Simpósio intitulado Aproximações multidisciplinares: o contexto contemporâneo da formação de professores, ensino e aprendizagem de línguas visa congregar estudos que examinem questões concernentes as diversas dimensões do processo de ensino e aprendizagem de línguas e, mais notadamente, aquelas relacionadas com a construção dos saberes pelos aprendentes, ou ainda, com a sua ação como sujeitos sociais de aprendizagem nos distintos contextos e modalidades de ensino (presencial, semipresencial e a distancia) vivenciados no cenário contemporâneo. Portanto, nesse simpósio serão aceitas propostas nas quais sejam tratados como se definem os distintos processos que envolvem a relação sujeito e construção de conhecimento nas várias modalidades e contextos de ensino, com ênfase para os de formação de professores e ensino básico. Serão acolhidos trabalhos nos quais se busque analisar como os processos comunicativos estão relacionados com a aprendizagem, como a linguagem orienta o processo de construção do conhecimento e como os sujeitos aprendem, tendo em vista suas interações e negociações de sentidos. Em sintonia com essa perspectiva, nesse Simpósio serão debatidos temas que enfoquem o desenvolvimento da autonomia, da interação entre os sujeitos, da dinâmica da aula, da análise das necessidades dos alunos, das estratégias empregadas, dos fatores de aprendizagem, dos estilos de aprendizagem, dos processos de negociação, das narrativas de aprendizagem bem como da mediação didática, de acordo com a perspectiva processual no e para o ensino e aprendizagem de línguas. Serão admitidas discussões teóricas e teórico-analíticas e resultados de investigações sobre a temática orientadora desse fórum que contribuam para uma compreensão dos distintos fenômenos vivenciados pelos aprendentes e que nos permitam entrever como se define a dinâmica relação entre esses com a construção de conhecimentos e competências diversas.

Palavras-chave: Aprendizagem; Ensino; Formação; Línguas Estrangeiras; Comunicações.

10. Ensino e descrição de língua sob perspectiva sistêmico-funcional - Adriana Nóbrega (PUC-Rio) e Magda Bahia Schlee (UERJ)

Resumo: O objetivo deste Simpósio Temático é promover discussões acerca das contribuições que a abordagem funcionalista da linguagem, mais especificamente a Linguística Sistêmico Funcional (LSF), tem a oferecer no âmbito da descrição e do ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa como língua materna, como língua estrangeira, como língua segunda ou como língua de herança. De acordo com os princípios teóricos da LSF, a linguagem é vista sob uma perspectiva sociossemiótica (HALLIDAY e HASAN, 1989), isto é, a linguagem é tida como um sistema utilizado para criar significados em diferentes interações sociais. Em consonância com tais princípios, o modelo de investigação proposto por este Simpósio representa uma tentativa de descrição do funcionamento da língua, examinando-a como entidade não suficiente em si e analisando sua estrutura linguística vinculada a seu contexto de uso, permitindo um novo olhar acerca das estruturas linguísticas e seu funcionamento em textos. Inserido no modelo sistêmico-funcional de linguagem, o sistema de avaliatividade (MARTIN e WHITE, 2005) também é foco de discussão deste Simpósio Temático, uma vez que possibilita a análise sobre o modo pelo qual o escritor/falante, através de uma gama de opções do sistema linguístico, posiciona-se no discurso ao expressar sua opinião e sentimentos, e emitir comentários sobre suas percepções do mundo. Essas abordagens conferem, assim, especial relevância à correlação entre as propriedades das estruturas lexicogramaticais, bem como avaliativas, e as propriedades dos contextos em que as estruturas linguísticas ocorrem (HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004). É com esse foco que o Simpósio proposto contemplará trabalhos que, com base em uma concepção funcionalista de descrição, avaliação e ensino de língua busquem descrever, explicar e/ou interpretar os usos reais da linguagem verbal dentro de seus respectivos contextos de situação e de cultura (HALLIDAY, 1994), considerando as relações necessárias entre os recursos lexicogramaticais e a constituição semântica dos textos.

Palavras-chave: Sistêmico-Funcional; Avaliatividade; Análise Textual; Descrição; Ensino de Línguas.

11. Ensino de língua materna e línguas estrangeiras na escola básica – objetivos e estratégias - Vania Lúcia Dutra (UERJ) e Mônica de Souza Coimbra (UFF)

Resumo: O objetivo deste simpósio é trazer a público discussões acerca da prática docente de língua materna e línguas estrangeiras no âmbito dos ensinos fundamental e médio no Brasil. Por meio da problematização de práticas pedagógicas e das teorias de base que as sustentam, pretende-se discutir o trabalho desenvolvido nas salas de aula da Escola Básica, buscando aliar os conhecimentos produzidos na Universidade – nos cursos de graduação e pós-graduação – e sua transposição para a escola. É fato comprovado que não se constroem práticas pedagógicas coerentes e eficazes sem uma teoria que as embase e sem que os professores dominem o seu objeto de conhecimento – em nosso caso, os conhecimentos da língua e sobre a língua. A proposta deste simpósio é, portanto, abrir um canal de intercâmbio entre diferentes saberes: o resultado de estudos e pesquisas, geralmente realizados no âmbito da Universidade, e a riqueza de dados provenientes das interações que caracterizam as aulas na escola básica, no que diz respeito à transposição didática dos conteúdos que estão lá e aqui. Esperamos, com este simpósio, agregar pesquisadores, da Universidade e da Escola, que consideram a prática pedagógica como um objeto de investigação, buscando, com seu trabalho, iluminar as relações entre o que se objetiva, o que se propõe e o que se constrói em relação ao trabalho com a(s) língua(s) na sala de aula da Escola Básica.

Palavras-chave: Língua(s); Pesquisa; Ensino; Aprendizagem; Escola Básica.

12. Tecnologias de informação e comunicação e a formação de professores de línguas – Janaina da Silva Cardoso (UERJ) e Claudia Rebello dos Santos (UFRJ)

Resumo: A maioria dos alunos de licenciatura atuais são nativos digitais. No entanto, esta mudança no perfil dos futuros educadores não garante um melhor uso de tecnologias no contexto educacional. O objetivo deste seminário é discutir e refletir sobre a importância da integração das tecnologias de informação e comunicação ao processo de formação e desenvolvimento de professores de idiomas. Seria interessante uma discussão sobre a novíssima geração de professores (Geração conectada), comparando o perfil destes jovens mais conectados, com o de profissionais de outras gerações, e discutir a possível adaptação dos cursos de formação e capacitação de professores. A discussão pode ser útil para (futuros) educadores em geral, pois possivelmente lidam (ou lidarão) com diferentes gerações de professores, coordenadores e alunos. Esperamos que essa discussão implique também em um uso mais eficaz das tecnologias educacionais, como suporte para a construção de uma escola mais problematizadora, desafiadora, e que propicia a construção de conhecimento colaborativamente e de maneira crítica. Espera-se poder abordar tanto questões sobre contextos educacionais formais presenciais como a educação a distância.

Palavras-chave: Idiomas; Tecnologia; EAD; Formação; Professores.

13. Desenvolvendo competências verbais. Ensino de língua: teorias, estratégias e ferramentas – Darcília Marindir Simões (UERJ) e Mari Noeli Kiehl Lapechino (UFRPE)

Resumo: Nossa proposta é reunir pesquisadores, docentes e discentes interessados no aperfeiçoamento do ensino da língua portuguesa, para desenvolver reflexões, apresentar e discutir propostas que possam contribuir para o aperfeiçoamento das aulas de linguagem, articulando modernas teorias e a inovação tecnológica. Buscando incentivar a prática da pesquisa como meio de atualização, especialização e aperfeiçoamento das práticas pedagógicas, convidamos os interessados a trazerem à cena seus estudos, pesquisas e práticas que envolvam o funcionalismo sistêmico, o sociointeracionismo, a teoria dos gêneros textuais, a semântica discursiva, a iconicidade e as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC) como ferramentas dinamizadoras da prática pedagógica de língua portuguesa. Propomos não só a atuação docente como observador de seu próprio fazer e mediador dos fazeres discentes, como também seu efetivo ingresso no mundo digital como atitudes indispensáveis à escola contemporânea.

Palavras-chave: Língua Portuguesa; Ensino e Pesquisa; Funcionalismo; Iconicidade; NTIC.

 

Eixo 7: Filologia e Linguística Histórica

1. Os dados de línguas pretéritas e o testemunho dos gramáticos coetâneos – Soelis Teixeira Mendes (UFOP) e Maria Antonieta Cohen (UFMG)

Resumo: A pesquisa de estados de língua antiga tem sido efetivada primordialmente em textos, reunidos ou não em bancos de textos, que são tomados como representativos da língua que se escrevia numa determinada época. Muitos são os projetos assim desenvolvidos no Brasil, nos últimos vinte anos ou mais, que estiveram empenhados em descrever e explicar mudanças linguísticas ocorridas e detectadas da comparação de dados de duas ou mais sincronias.Toda uma metodologia de abordagem a esses dados tem sido desenvolvida, levando em conta a fidedignidade das edições e transcrições feitas ou utilizadas,usadas, segundo critérios da crítica textual.Consequentemente o estudo dessas mudanças que levam em conta dados de tal tipo de fonte dar-se-á "no âmbito do leitor/escritor e não do falante/ouvinte", conforme Cohen (1996). O diacronista não tem condições de testar suas hipóteses com falantes da época em que o texto sob análise foi escrito, diferentemente de um pesquisador de língua contemporânea. Paralelo a isso, é preciso destacar que ao estudo diacrônico sempre subjaz uma questão, seja de forma explícita ou implícita: qual o grau de representatividade que os textos escritos têm da língua oral do período em que foram exarados? A classificação de textos pretéritos por gêneros ou tipos textuais vem, de certa forma, minimizar essa incompletude dos dados pretéritos, mas outros procedimentos podem ser invocados para suprir lacunas. Considerar o testemunho de gramáticos de épocas pretéritas – do século XVI ao século XIX - pode contribuir, direta ou indiretamente, para minimizar essas questões. Pensando nisso, este Grupo Temático pretende reunir pesquisas, em desenvolvimento ou já concluídas, que discutam de que forma as reflexões sobre linguagem e/ou sobre as concepções de língua encontradas nesses materiais podem contribuir para as pesquisas diacrônicas.

Palavras-chave: Língua Antiga; Oralidade; Gramáticas Antigas; Crítica Textual; Diacronista.

 

Eixo 8:Fonética e Fonologia

1. Estudos sobre prosódia do português: teorias e análises fonológicas - Carolina Serra (UFRJ) e Flaviane Fernandes-Svartman (USP)

Resumo: Este simpósio pretende acolher estudos que tratem de prosódia da língua portuguesa, principalmente estudos baseados em teorias fonológicas de análise prosódica como, por exemplo, a Fonologia Entoacional (Fonologia Entoacional Autossemental Métrica, cf. LADD, 1996, 2008) e a Fonologia Prosódica (SELKIRK, 1984, 1986, 2000; NESPOR & VOGEL, 1986, 2007), entre outras. Sob essa temática ampla, pretendemos acolher trabalhos, com foco na análise de dados orais ou escritos, que discutam propriedades prosódicas (calcadas ou não em análises acústicas) do Português; aplicação (ou aplicabilidade) das teorias Fonologia Prosódica e Fonologia Entoacional a dados do Português; e relação entre fenômenos segmentais e suprassegmentais e estrutura prosódica da língua. São de especial interesse pesquisas que investigam: fraseamento prosódico; acento e domínios prosódicos; entoação e estrutura prosódica; variação entoacional inter e intra variedades do Português; comparação de aspectos prosódicos do Português com outras línguas; dentre outros tópicos relacionados.

Palavras-chave: Prosódia; Entoação; Acento; Fonologia; Língua Portuguesa.

2. Música e Linguagem - Gladis Massini-Cagliari (UNESP) e José Roberto do Carmo Jr. (UFPR)

Resumo: Dado que as músicas cantadas se baseiam em uma relação entre os níveis musical e linguístico, este simpósio pretende analisar a questão do ponto de vista principalmente linguístico, investigando em que sentido a análise da relação entre letra e música pode contribuir para a elucidação de questões linguísticas e, subsidiariamente, das questões musicais. O presente simpósio, que objetiva uma análise em paralelo das três dimensões envolvidas na composição e na performance de canções (musical, poética e linguística), apresenta uma proposta inovadora e original dentro da ciência linguística, na medida em que pretende verificar as possíveis contribuições de que a Linguística pode se beneficiar quando se considera também a dimensão musical, no estudo do ritmo da "letra" de canções. Embora este simpósio investigue as contribuições que a consideração da dimensão musical pode trazer ao estudo da prosódia linguística, esta proposta enquadra-se dentro de um contexto mais amplo de investigações das interfaces entre Música e Linguística, que inclui também contribuições a respeito de o que o estudo da "letra" (ou seja, do nível linguístico) pode trazer para a compreensão da dimensão musical. Também é objetivo deste simpósio investigar a possibilidade de uma conexão entre a música e a linguística no desenvolvimento de novas metodologias para o estudo da prosódia de línguas atuais ou de períodos anteriores de línguas vivas ou já mortas. Assim sendo, este simpósio abre-se ao recebimento de propostas que comparem a realização cantada de músicas em português, línguas indígenas brasileiras ou outras línguas, atuais ou de momentos passados (em uma perspectiva histórica).

Palavras-chave: Música e Linguagem; Prosódia; Ritmo; Fonética e Fonologia; História da Linguagem.

3. Avanços recentes em fonética e fonologia de línguas indígenas brasileiras - Sérgio Meira de Santa Cruz Oliveira (Emílio Goeldi) e Gessiane Lobato Picanço (UFPA)

Resumo: Com a maior disponibilidade de instrumentos de coleta e análise de dados fonéticos, bem como um maior número de pesquisadores com interesse nessas áreas, estudos mais detalhados sobre a fonética e a fonologia de línguas indígenas brasileiras vêm surgindo. Neste simpósio, apresentar-se-ão trabalhos sobre a fonética e/ou fonologia de línguas indígenas brasileiras, enfatizando-se tanto a base experimental (coleta e análise de dados fonéticos) quanto a novidade dos resultados (novas perspectivas, análises inovadoras, reavaliações de análises anteriores).

Palavras-chave: Fonética; Fonologia; Línguas Indígenas.

4. Prosódia e a entoação do português brasileiro: falares regionais e comparações com línguas estrangeiras - Denise Cristina Kluge (UFPR) e Izabel Christine Seara (UFSC)

Resumo: Estudos sobre a prosódia e a entoação do português brasileiro têm se tornado cada vez mais importantes para uma investigação mais aprofundada dos diferentes falares regionais no Brasil. Tais estudos têm discutido a variabilidade prosódica nas diferentes regiões investigadas, bem como têm trazido questões a respeito da metodologia usada para a coleta e análise de dados a fim de que os resultados desses estudos possam ser comparáveis entre si. Além disso, os resultados encontrados em relação à prosódia e à entoação do português brasileiro são de extrema importância para traçar comparações com a prosódia e a entoação de diferentes línguas estrangeiras, principalmente quando faladas por aprendizes brasileiros. Diante desse cenário, através deste simpósio, pretende-se demonstrar a gama de estudos referentes a este tema, desenvolvidos em diferentes Programas de Pós-Graduação do Brasil. Espera-se, dessa forma, evidenciar a pertinência da área de Prosódia e Entoação no Brasil, particularmente com foco na comparação com línguas estrangeiras.

Palavras-chave: Prosódia; Entoação; Português Brasileiro.

5. Aquisição Fonético-Fonológica de L2 - Walcir Cardoso (Concordia University) e Rosane Silveira (UFSC)

Resumo: Na última década, tem-se verificado um número crescente de estudos voltados à aquisição dos aspectos fonético-fonológicos de L2 utilizando diversas perspectivas analíticas. Encontramos, nesta área de investigação, desde estudos que tratam o processo de aquisição como um aspecto psicolinguístico, decorrente de questões referentes à percepção dos sons, até investigações que buscam encontrar princípios universais comuns a todos os sistemas interfonológicos a serem adquiridos. Além disso, a partir dos dados interlinguísticos, encontramos desde trabalhos que tratam a aquisição dos sistemas de L2 como evidência de um continuum existente entre fonética e fonologia, até investigações que buscam, a partir do material empírico, argumentos que se voltem a perpetuar a tradicional dicotomia entre os componentes fonético e fonológico. Não de modo menos importante, encontramos, também, estudos que tratam a aquisição do sistema sonoro de L2 como uma fonte de investigações de caráter mais aplicado. Nesse sentido, crescente é o número de pesquisas que se preocupam com os efeitos da instrução (com ou sem o auxílio de tecnologia) e/ou do treinamento perceptual sobre a aquisição dos sons da língua-alvo. Também em número já significativo, verificamos investigações que se voltam à discussão do papel desempenhado pelo ensino do componente fonético-fonológico, investigações essas que trazem à tona questões referentes à inteligibilidade e à compreensibilidade da língua do aprendiz. Com base no quadro acima exposto, verifica-se um grande rol de investigações importantes, tanto para a linguística formal, quanto para a linguística aplicada (incluindo a psicolinguística e a sociolinguística). Considerando-se essa riqueza de possibilidades, neste Simpósio, pretende-se demonstrar a grande gama de estudos referentes a este tema, desenvolvidos em diferentes Programas de Pós-Graduação do Brasil e do exterior. Espera-se, dessa forma, evidenciar a pertinência da área de Aquisição Fonético-Fonológica de L2.

Palavras-chave: Aquisição; Fonologia de L2; Fonética de L2; Pronúncia; Ensino de L2.

 

Eixo 9: Gêneros textuais e Discursivos

1. Ensino de gêneros discursivos da esfera acadêmica – Ailton Dantas de Lima (IFRN) e João Maria Palhano (UFRN)

Resumo: A produção de gêneros discursivos pertencentes à esfera acadêmico-científica – aqueles utilizados, sobretudo, para veicular propósitos comunicativos centrados na apropriação e na divulgação do conhecimento dito científico – pode apresentar, para neófitos (e também para não neófitos) em práticas discursivas acadêmicas, dois principais entraves. Em um dos polos dessa problemática, emerge a necessidade de monitoramento da linguagem, especialmente no que se refere à produção de sentidos circunscritos ao discurso acadêmico, à clareza e à logicidade do discurso. Em outro polo, emerge a necessidade de repertório prévio em uma determinada área do conhecimento acadêmico-científico. No entrecruzamento desses dois principais entraves, a fragilidade em relação ao monitoramento da linguagem e a fragilidade em relação ao conhecimento prévio acerca de uma dada área do conhecimento científico, situa-se, portanto, o desafio: o ensino e a aprendizagem de gêneros complexos e necessários às práticas discursivas acadêmicas. Tomando, portanto, esse quadro em que as dificuldades avultam e criam desafios para a investigação, o Grupo Temático Ensino de Gêneros Discursivos da Esfera Acadêmica, amparando-se, sobretudo, em teorias sociodiscursivas, elege, como tema central, a discussão sobre o ensino e a aprendizagem de gêneros discursivos cuja produção proficiente representa uma das condições tanto para o acesso ao conhecimento tido como científico quanto para a divulgação desse mesmo conhecimento. De modo mais específico, pretende-se que este GT se constitua como um espaço para pesquisadores que queiram socializar e problematizar discussões teórico-analíticas, relatos de experiência e/ou resultados de pesquisa sobre práticas e metodologias de ensino inovadoras ou experimentais para o trabalho pedagógico relacionado aos gêneros discursivos da esfera acadêmica.

Palavras-chave: Gêneros Discursivos; Escrita Acadêmica; Práticas Discursivas; Ensino; Discurso.

2. Gêneros publicitários e humorísticos: relações dialógicas – Alfredina Rosa do Vale (UEPB) Maria Angélica de Oliveira (UFCG)

Resumo: A proposta deste Simpósio configura-se a partir da visão de que "a riqueza e a diversidade dos gêneros do discurso são infinitas porque são inesgotáveis as possibilidades da multiforme atividade humana e porque em cada campo dessa atividade é integral o repertório de gêneros do discurso, que cresce e se diferencia à medida que se desenvolve e se complexifica um determinado campo" (BAKHTIN, 2003). Cabe evidenciar o infindável repertório de gêneros discursivos (verbo visuais) que os sujeitos utilizam em situações concretas de enunciação. Razão porque, Bakhtin esclarece que só nos comunicamos, falamos e escrevemos através de gêneros do discurso. Neste contexto, este Simpósio se propõe a constituir um espaço congregador de propostas de trabalho que observem a construção de sentidos em gêneros discursivos – publicitários e humorísticos – que permeiam a interação na sociedade.

Palavras-chave: Gêneros Discursivos; Relações; Publicidade; Humor.

3. Gêneros Textuais e Discursivos no Ensino de Língua Portuguesa - Simone Dália de Gusmão Aranha (UEPB) e Tânia Maria Augusto Pereira (UEPB)

Resumo: Este Simpósio Temático tem como objetivo fomentar discussões que estabeleçam a relação entre os gêneros textuais/discursivos (orais e escritos) e ensino de língua portuguesa na tentativa de, a partir de ações pedagógicas, formar sujeitos leitores críticos, via análises de enunciados concretos de diversos eventos sociais: o midiático, o tecnológico, o religioso, o político etc. Para tanto, aceita trabalhos que abordem a relação entre gêneros e ensino em várias vertentes, tais como a Linguística Textual, a Análise de Discurso, a Semântica Argumentativa, a Pragmática e outras perspectivas teóricas que extrapolam a visão imanente de língua e põem em destaque, sobretudo, a funcionalidade dos gêneros e a sua importância para a reflexão acerca da língua(gem) no contexto escolar.

Palavras-chave: Gêneros Textuais; Gêneros Discursivos; Ensino; Língua Portuguesa.

4. Gêneros textuais/discursivos e práticas formativas - Lília Santos Abreu-Tardelli (UNESP) e Regina Celi Mendes Pereira (UFPB)

Resumo: Nas últimas duas décadas, têm sido evidentes a influência e a presença dos gêneros textuais/discursivos em debates que envolvem práticas pedagógicas de ensino de línguas tanto na perspectiva de documentos institucionais que prescrevem e norteiam tais práticas, quanto do ponto de vista daqueles que as implementam e executam. Nesse sentido, este simpósio tem como objetivo retomar esse eixo de discussão focalizando dados de pesquisas que tratem dessa temática, abordada por perspectivas teóricas diversas, e que permitam um delineamento dos avanços, questionamentos e reflexões que esse "mega"instrumento (Schneuwly, 2004) tem proporcionado no contexto de práticas formativas.

Palavras-chave: Gêneros Textuais; Práticas formais; Ensino de Línguas.

5. Interfaces entre gêneros discursivos, textuais e literários: modos de ensinar/aprender nas aulas de língua e literatura em língua portuguesa no século XXI - Adriana Maria de Abreu Barbosa (UESB) e Elane Nardoto (IFBA)

Resumo: Não é de hoje que circula a ideia, no campo da linguística, de que os gêneros textuais se estabeleçam como unidade do ensino de Língua Portuguesa (LP), aqui no Brasil. Isso se deve, principalmente, ao fato de estar postulado nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa – PCNs-LP a eleição desse conceito como constitutivo do texto, desde 1997. Entretanto essa discussão é bem anterior aos estudos brasileiros, se levarmos em consideração que Mikhail Bakhtin ao estudar os gêneros discursivos, de certa forma, retoma a proposta de análise de textos com base em elementos formais e conteudísticos apontada por Aristóteles em Poética. A diferença relevante é que aos estudos literários só interessavam textos considerados obras literárias, o que levou posteriormente Emil Staiger (1969) a adotar uma perspectiva aberta da tripartição dos gêneros lírico, épico e dramático utilizada até hoje no ensino de teoria da Literatura. Reconhecemos, na discussão no campo de teoria literária, muitas aproximações com as contribuições de Bakhtin quanto aos gêneros secundários e, sobretudo quanto a mais recente literatura lingüística sobre gêneros textuais e observamos que nem a Universidade tão pouco as escolas ainda realizaram esta interdisciplinaridade que, a nosso ver, ajudaria a pensar uma prática pedagógica em língua e literatura mais afinada como o desenvolvimento de competências comunicativas. Ao contrário, estudos (MORAIS, 2002; UCHÔA, 2007; NARDOTTO, 2008) e dados estatísticos (IDEB, INAF) vêm constatando que nem sempre a transposição didática das teorizações das esferas linguística e literária para as práticas pedagógicas acontecem e, quando ocorrem, não têm garantido a formação leitora literária, escritora e oral dos alunos no espaço da sala de aula. Diante disso, este simpósio objetiva apresentar estudos orientados pela perspectiva teórica dos gêneros textuais-discursivos e que estejam em estreita relação com o ensino-aprendizagem de LP, aqui entendido como interdisciplinar já que prevê contemplar gramática, leitura, literatura e produção textual. Ademais, que esses trabalhos demonstrem possibilidades atinentes à pressuposição de que lacunas entre as contribuições do campo teórico em Ciências das Linguagens e as práticas pedagógicas de LP podem ser impactadas a partir do momento que o saber da universidade dialogue com o saber-fazer do professor no espaço escolar. Nossa inspiração para a construção deste Simpósio parte de uma experiência nos anos de 2010-2012 no Programa de Iniciação à Docência em Letras da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, a qual resultou em elaboração de material didático (BARBOSA & CAROSO, 2014) que inicia uma proposta de aproximação dos saberes lingüístico-literários numa abordagem diferenciada para o ensino do uso da língua.

Palavras-chave: Língua e Literatura; Gêneros Literários; Gêneros Textuais; Ensino; Interdisciplinaridade

6. Ordem de palavras no português, peso dos constituintes e gêneros textuais/discursivos - Vera Lúcia Paredes Pereira da Silva (UFRJ) e Maria da Conceição Auxiliadora de Paiva (UFRJ)

Resumo: Este simpósio pretende reunir trabalhos que ponham em discussão a correlação entre o chamado peso dos constituintes e a ordenação de elementos na oração, e seus possíveis efeitos na composição de gêneros. Um primeiro ponto que se impõe diz respeito ao critério de peso: o que seria um constituinte pesado? Seria um problema de extensão, de complexidade de estrutura sintagmática, de escolhas lexicais, de estatuto informacional? Tais propriedades podem ser associadas a sintagmas de natureza variada ( nominais, preposicionais, adverbiais, etc) Qual seria a correlação entre eles, evidenciada, de preferência, em trabalhos baseados no português atual, oral ou escrito?

Palavras-chave: Gêneros Textuais; Ordens de Constituintes; Peso de Constituinte; Uso da língua.

7. Os Gêneros discursivos e a mídia: diálogos entre leituras e abordagens diversas - Rita de Cássia Aragão Matos (UFBA) e Catiane Rocha Passos de Souza (IFBA)

Resumo: Os gêneros são as formas relativamente estáveis que constituem o modo como os seres humanos materializam suas práticas discursivas. Na sua constituição, o gênero já traz consigo uma memória discursiva e um caráter dialógico que tornam possíveis a heterogeneidade. Os gêneros possuem finalidade comunicativa reconhecida, que por sua vez pressupõem uma periodicidade e um suporte material específico. Em nosso simpósio lançaremos o olhar sobre os gêneros discursivos da mídia, que envolvem desde propagandas, entrevistas jornalísticas ou diálogo numa telenovela, ou seja, uma infinidade de possibilidades. A mídia, como espaço de lutas e transformação, de reprodução e manutenção de sentidos hegemônicos, integra diferentes gêneros discursivos. Nessa integração a língua convive com vários sistemas semióticos e os gêneros discursivos vão sofrendo modificações em consequência da conjuntura a qual estão inseridos. Uma das reflexões propostas nesse simpósio surge do olhar sobre os gêneros discursivos da mídia, dentre outros aspectos da linguagem midiática, como determinantes no modo como se operam os efeitos de sentidos que circulam atualmente, bem como no modo como formulam seus próprios processos de leitura. Enfim, cada vez mais se torna indispensável à discussão sobre os gêneros discursivos no universo tão influente na sociedade atual, a mídia. Assim, este simpósio reúne trabalhos com objetivo de discutir os gêneros discursivos nos contextos midiáticos sob a perspectiva de diferentes abordagens teórico-metodológicas.

Palavras-chave: Gêneros Discursivos; Mídia; Leitura; Heterogeneidade; Dialogismo.

 

Eixo 10: Historiografia da Linguística

1. Os estudos linguísticos no Brasil: história, historiografia e ideologia - Ricardo Cavaliere (UFF) e Neusa Maria Bastos (PUC-SP)

Resumo: O Simpósio pretende discutir temas atinentes ao percurso dos estudos linguísticos brasileiros em todas as suas vertentes, seja a histórica, que cuida de fatos, modelos teóricos e produtos acadêmicos decorrentes da atividade do filólogo ou do linguista no cenário acadêmico nacional, a historiográfica, que se ocupa do estudo interdisciplinar da construção do saber linguístico no percurso da atividade científica brasileira, ou a ideológica, que avalia a presença do ideário filosófico e epistemológico norteador do pensamento linguístico ao longo dos períodos evolutivos da Linguística como ciência. Na vertente histórica, incluem-se trabalhos específicos sobre a obra e a biografia de filólogos e linguistas brasileiros que exerceram papel proeminente nos séculos XIX e XX, bem como estudos específicos sobre gramáticas missionárias e seu papel no processo de colonização e edificação da sociedade brasileira, inclusive no tocante ao contato linguístico em perspectiva diacrônica. A vertente historiográfica poderá abranger temas como o da influência doutrinária, das fontes canônicas e marginais e da metodologia estabelecida pela meta-historiografia. Os textos que cuidam especificamente das ideias linguísticas no Brasil podem pautar-se em fundamentação teórica diversificada, não obstante claramente definida na submissão do trabalho. O simpósio também abre oportunidade para a apresentação de textos em áreas conexas, referentes à reflexão sobre o papel social do linguista, as estratégias de ensino do português como língua nacional e as políticas públicas referentes ao desenvolvimento e aprimoramento do ensino na área da linguagem. Nessas linhas adjetivas, são bem-vindas contribuições que toquem questões como norma gramatical, conceito de purismo, exemplaridade linguística, preconceito linguístico dentre outras congêneres. Uma questão fundamental é refletir sobre o lugar privilegiado que o exame dos debates políticos, das disputas lingüísticas e da forma de construção das histórias e teorias adquire nesse momento em que ação e discurso se tornam equivalentes. Com a problematização de uma História em si, fica a historiografia encarregada de mapear, traçar a genealogia das diversas narrativas da história que estão em embate. A história surge como um processo de luta de várias interpretações da história, de modo que a disputa política se torna uma disputa linguística. Serão muito bem-vindos os trabalhos que discutam essa problemática da ação e do discurso, tais como os que tratem da questão do lugar social da produção historiográfica e da perspectiva de encarar a ação "como obra aberta", sujeita a constantes interpretações e reinterpretações (Ricoeur). A renovação da história política, sua aproximação da esfera cultural, a intenção de contar histórias jamais contadas - dos injustiçados, dos anônimos - e descobrir novos atores históricos podem ser temáticas interessantes para pensar os impactos da "virada lingüística" na história da historiografia. Numa acepção mais teórica, podemos perceber que o esvaziamento do conceito moderno de história acarreta uma espécie de congelamento da concepção de política. Não havendo mais um processo da história, mas diversas narrativas sobre a história, seria possível entender, como os críticos do pós-modernismo, que está em jogo uma perda do sujeito histórico. Se partirmos de Koselleck, a questão seria a contração do "horizonte de expectativas", da capacidade de fazer história. No diagnóstico de Hartog, a constatação de um "presente hipertrofiado". Nessa linha, o Simpósio está aberto àqueles que visam pensar a relação entre história e política, refletindo sobre a consciência histórica do tempo presente e da historiografia contemporânea.

Palavras-chave: Estudos Linguísticos; Historiografia; Ideologia; Políticas Públicas; Ensino do Português.

2. O curso de linguística geral: ainda - Atilio Butturi Junior (UFSC) e Fabio Luiz Lopes da Silva (UFSC)

Resumo: O Simpósio tem por objetivo produzir debates sobre o Cours de Linguistic Générale, de Ferdinand de Saussure, edição de Charles Bally e Albert Sechehaye, que completará 100 anos de existência em 2016 e que tem sido parte fundamental dos esforços de construir um discurso científico para a Linguística. Trata-se de uma tentativa de reflexão sobre conceitos, objetos e enunciados propostos pela edição, a partir da problemática dos limites de epistemologização exigidos pelo Cours que, quase cem anos depois, tem recebido respostas de várias áreas do campo de estudos da linguagem e atenção de campos do saber distintos, como o das Humanidades. Em termos gerais, a pretensão é de retomar e expandir uma série de comentários e leituras, legitimadas ou não, acerca dos problemas levantados pelo texto da edição e por sua própria natureza iterativa, fruto de uma origem ainda discutível e, justamente por isso, ainda polêmica e axial para os estudos linguísticos.

Palavras-chave: Curso de Linguística; Interabilidade; Saussure; Epistemologia; Desconstrução.

 

Eixo 11: Letramentos

1. Letramentos e interações discursivas em ambiente virtual - Marineuma de Oliveira Costa Cavalcanti (UFPB) e João Wandemberg Gonçalves Maciel (UFPB)

Resumo: Este Simpósio Temático tem como objetivo propiciar discussões sobre os letramentos e sobre as peculiaridades de estratégias discursivas usadas na elaboração de postagens em ambientes virtuais. Trabalhamos com blogs, e-mails, Twitter, Instagram, Facebook e WhatsApp, entre outros suportes digitais. Fundamentamos nossa pesquisa em estudos sociointeracionistas voltados para os letramentos e os gêneros textuais, principalmente os digitais, levando em conta, principalmente, o advento das novas tecnologias e a expansão das redes sociais, o que tem permitido, cada vez mais, que as pessoas escrevam, editem e a divulguem, nos mais diferentes textos, seus pontos de vista e opiniões. Defendemos que o processo de produção de um discurso é caracterizado por uma série de formações imaginárias que designam o lugar que os sujeitos atribuem cada um a si e a outrem. Há, também, por parte de cada indivíduo, uma suposta antecipação dessas representações. Os interlocutores participam ativamente do processo discursivo e do jogo de valores que o organizam. Interagem com os textos e, para essa interação, evocam outros textos, outras vozes. Os prováveis leitores têm influência sobre a forma da escrita e sobre o próprio tema. Também exerce papel constitutivo nas interações o próprio gênero utilizado. Colocamos em debate, também, se, e como, poderemos trazer para a escola reflexões sobre essas práticas sociais de linguagem que invadem o universo virtual dos nossos alunos.

Palavras-chave: Letramentos; Interação; Redes Sociais.

2. Letramento Acadêmico em português e línguas estrangeiras: os desafios linguísticos impostos pela internacionalização da academia - Vivian Cristina Rio Stella (PUC-SP) e Marilia Mendes Ferreira (USP)

Resumo: O fenômeno recente da internacionalizaçãoe o aumento da pressão por publicação (Kuenzer e Morais,2005)impõem novos desafios linguísticos para a comunidade acadêmica brasileira. Com a necessidade de maior domínio da escrita em português e de aprendizagem da escrita – e não mais somente de leitura - em línguas estrangeiras - principalmente o inglês - para a publicação, oletramento acadêmico nessas línguas vem ganhando, pouco a pouco, a atenção dos linguistas brasileiros, que começam a desenvolver pesquisas sob diferentes perspectivas teóricas, seja com foco textual-discursivo ou da prática social (questões institucionais e ideológicas). Entretanto, os estudos sobre esse fenômeno precisam ser efetivamente compartilhados entre os grupos de pesquisa que abordam o assunto para que, dessa forma, o conhecimento produzido possa influenciar de modo mais decisivoo ensino dessa importante habilidade de produzir textos acadêmicos, tão demandada e ainda deficitária entre pesquisadores e alunos em formação (graduação e pós-graduação). Diante desse contexto, o presente simpósio propõe compor um quadro do estágio atual de pesquisas sobre o tema e, principalmente, discutir os desafios a serem enfrentados tanto na área de pesquisa como na de ensino sobre letramento acadêmico.A partir dessa discussão, objetiva-se propor ações que possam inspirar políticas educacionais para a área de letramento acadêmico. Dessa forma, espera-se que mais condições – hoje praticamente inexistentes - possam ser criadas para se preparar efetivamente a comunidade acadêmica a escrever em línguas materna e estrangeiras. Entre os principais desafios, destacamos (sem restringir a lista): a relação do letramento acadêmico com o ensino da escrita no ensino fundamental e médio; as habilidades necessárias para se publicar na academia nos dias de hoje e como ensiná-las; o plágio na academia: razões para sua ocorrência e medidas para solução desse problema; o valor do inglês como língua franca das ciências; o papel da tradução no letramento acadêmico em inglês. Os artigos, tanto de caráter empírico quanto teórico, de diferentes linhas teóricas como a linguística de corpus, a retórica contrastiva, estudos textuais, discursivos e do gênero textual, de base sócio-histórico-cultural, sociológica, geopolítica, etc., devem versar sobre o tema do letramento acadêmico em língua materna e ou em língua estrangeira. Em suma, o simpósio visa contribuir para um debate ainda incipiente no país: os desafios linguísticos impostos pela internacionalização da academia, mais especificamente na área da escrita.

Palavras-chave: Letramento Acadêmico; Internacionalização; Ensino; Português; Línguas Estrangeiras.

3. (Multi)letramentos e ensino-aprendizagem de língua materna: desafios, implicações e contribuições - Obdália Santana Ferraz Silva (UEBA) e Dinéa Maria Sobral Muniz (UFBA)

Resumo: Trata-se de um simpósio no âmbito dos letramentos, que abre espaço para o aprofundamento de discussões sobre as implicações da multiplicidade e variedade de práticas socioculturais letradas, seja no impresso, seja nas mídias digitais, e suas implicações para as práticas de ensino de oralidade, escrita e leitura, bem como para o leitor-produtor dos discursos que se encontram em efetiva circulação nos espaços sociais. Este simpósio tem como objetivo reunir pesquisas no campo do ensino de língua materna, considerando o contexto multissemióticos, multimodais e hipermidiáticos que colocam desafios ao sujeitos, no âmbito da educação, do Ensino Básico à Universidade; debater sobre os letramentos, do impresso ao digital, como instrumentos de poder, legitimação e evolução. A linguagem, seus aspectos sociais, conceitos de coesão e coerência, entre outros, poderão ser objeto de estudo nas perspectivas impressa, digital e midiática, objetivando refletir sobre a influência e mudanças significativas processadas no ensino e aprendizagem da oralidade, da leitura e da escrita, na educação e no estilo de vida humana. Aspectos sociais e possiblidades pedagógicas dos letramentos, as implicações e desafios postos à educação, o papel da escola no desenvolvimento dos (multi)letramentos e políticas públicas, (multi)letramentos como práticas sociais culturalmente constituídas; (multi)letramentos como exercício de poder, serão discutidos, visando à compreensão e à aplicabilidade nos ambientes de ensino e aprendizagem e interação social. Serão acolhidas pesquisas que priorizem diferentes perspectivas sobre os letramentos, sejam trabalhos teóricos e/ou práticos, pertencentes a diversas linhas, a exemplo da Análise de Discurso, Linguística Textual entre outras. Serão acolhidos trabalhos que problematizem as implicações das múltiplas e diferenciadas práticas sociais orais e letradas no ensino e aprendizagem de língua materna, considerando as transformações do contexto social atual em que estão inseridos os sujeitos, alunos e professores.

Palavras-chave: Letramentos; Multiletramentos; Ensino de Língua.

4. Letramentos na escola: práticas sociais de leitura e escrita – Tania Maria Nunes de Lima Camara (UERJ) e Fábio André Cardoso Coelho (UFRRJ)

Resumo: Não é difícil perceber que, na atualidade, ser alfabetizado não garante satisfatória proficiência com as demandas sociais de leitura e escrita. Mais do que decodificar signos, do indivíduo é exigido que se aproprie das práticas sociais do ler e do escrever, o que, por sua vez, implica o envolvimento com uma multiplicidade de gêneros textuais. Diante de tal realidade, a capacidade de transitar entre diferentes gêneros e linguagens distintas, como leitor ou como produtor de textos, confere ao indivíduo potencialidade maior de construção de sentidos. Assim sendo, as práticas de letramento buscam recobrir os usos da linguagem em diferentes contextos sociais. No caso específico da escola, o principal objetivo deverá ser, por meio da leitura e da escrita, dar ao aluno condições de não simplesmente adaptar-se às exigências sociais ao seu redor, mas especialmente de descobrir-se e afirmar-se como cidadão capaz de agir na sociedade. Desse modo, no ambiente escolar, ler e escrever deve corresponder a atos capazes de promover mudanças das mais diferentes naturezas. Considerando esses aspectos, o presente simpósio tem como principais objetivos discutir práticas do ensino de Língua Portuguesa calcadas no desenvolvimento do letramento dos sujeitos envolvidos no processo, bem como refletir acerca do trabalho do professor em (re)introduzir, (re)dimensionar e (re)significar o ler e o escrever. A proposta baseia-se no ensino da Língua Portuguesa como educação linguística, na reflexão da língua em uso nos diferentes contextos, no caráter primordial da língua falada e escrita como práticas sociais, fundamentada, entre outros autores, em Rojo (2009; 2012), Kleiman (1995; 2005) e Soares (2003). O Simpósio busca reunir professores da Educação Básica, da Educação de Jovens e Adultos, da Educação Superior e pesquisadores de áreas afins, interessados em expor experiências vivenciadas, pesquisas concluídas ou em andamento, no intuito de estabelecer um espaço de exposição e reflexão de práticas escolares relacionadas ao novo olhar que se deve dirigir às atividades de leitura e de escrita.

Palavras-chave: Língua Portuguesa, letramentos, leitor, autor, ensino

5. Práticas de letramento, gêneros textuais e formação tecnológica do professor – Ana Maria Pereira Lima (UFCE) e Maria Elias Soares (UFCE)

Resumo: O objetivo do presente simpósio é oportunizar discussões teóricas e analíticas sobre letramentos e gêneros textuais, que emergem ou apenas circulam nos ambientes digitais, e enfocar a perspectiva pedagógica que pode ser depreendida dessa relação. Para tal empreitada, partimos da noção de que é necessária a formação tecnológica do professor e de que as concepções de língua, letramento e gêneros textuais devem estar presentes nas propostas de formação continuada de professores. Essas noções possibilitam-nos perceber que não somente o meio confere identidade aos gêneros e aos letramentos, mas também possibilita adaptação a novos contextos, a diferentes modos de interação e às estratégias teórico-metodológicas de apropriação dos gêneros em contexto escolar. Dessa forma, a sugestão para este simpósio representa uma ocasião para a divulgação de resultados de pesquisas, de análises e de descrições realizadas sobre os diversos gêneros textuais e sobre letramentos, submetendo-os à apreciação crítica dos pesquisadores presentes ao evento, de maneira que oportunize reorientações e novas perspectivas no que concerne à compreensão da necessária discussão sobre a relação entre letramentos, gêneros textuais digitais e formação tecnológica de professores. Diante disso, neste simpósio, serão aceitas propostas integrantes de áreas congêneres as aqui propostas, desde que se situem nos princípios teórico-metodológicos de teorias que abordem os gêneros textuais, o letramento digital e os vieses pedagógicos para o trabalho com estes. É importante destacar que as propostas visem a investigar o funcionamento dos gêneros e dos letramentos e sua inter-relação com a cultura, com as comunidades discursivas e as aplicações em contexto escolar, pois os trabalhos devem promover reflexões sobre os contextos sociais, os meios de comunicação em que os gêneros e os letramentos estão presentes, a articulação entre as dimensões verbal e sócio-histórico-cultural dos textos e dos letramentos. Portanto, acredita-se que os trabalhos propostos à coordenação deste simpósio possam contribuir e explicar o caráter inovador dos gêneros textuais e dos letramentos e da formação tecnológica de professores.

Palavras-chave: Letramento; Formação; Gêneros Textuais.

 

Eixo 12: Linguagem e surdez

1. Descrição e análise linguística da Libras (Língua Brasileira de Sinais) – Elidéa Lúcia Almeida Bernardino (UFMG) e Guilherme Lourenço (UnB)

Resumo: Desde o reconhecimento do estatuto linguístico das línguas de sinais na década de 1960, a partir dos trabalhos de William Stokoe e colaboradores, vários estudos têm sido desenvolvidos de modo a descrever e a analisar as línguas de sinais de diferentes países. Além disso, os pesquisadores que trabalham com descrição e análise das línguas de sinais frequentemente se veem discutindo dois pontos importantes. O primeiro é que as línguas de sinais, por serem línguas naturais produzidas por um mesmo cérebro humano, são bastante semelhantes às línguas orais/faladas e, por isso, as mesmas categorias de análise e instrumentações teóricas podem ser utilizadas tanto no estudo das línguas orais quanto no estudo das línguas sinalizadas. Já o segundo ponto é que existe sim uma grande diferença entre as línguas de sinais e as línguas orais que é uma diferença de modalidade: as línguas orais são produzidas pela articulação vocal e percebidas pela audição (modalidade oral-auditiva) e as línguas sinalizadas são produzidas por movimentos corporais e percebidas pela visão (modalidade viso-gestual). Essa diferença de modalidade resulta em uma pluralidade de diferenças estruturais entre línguas orais e línguas sinalizadas que permeiam todos os níveis de estudo da língua. Partindo dessas colocações, este Simpósio pretende reunir trabalhos voltados para a descrição e análise linguística da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os proponentes deste Simpósio, membros pesquisadores do NELiS - Núcleo de Estudos em Libras, Surdez e Bilinguismo (CNPQ-UFMG), incentivam alunos de pós-graduação e colegas pesquisadores a submeterem propostas oriundas das várias áreas dos estudos da linguagem, tais como fonética, fonologia, morfologia, sintaxe, semântica e pragmática. Serão aceitos também trabalhos sobre a aquisição da Libras como L1 e como L2 e também sobre variação e mudança linguística nas línguas de sinais.

Palavras-chave: Libras; Língua de Sinais; Análise Linguística.

2. Análises Linguísticas do SignWriting: Sintaxe e Morfologia - Débora Campos Wanderley (UFSC) e Marianne Rossi Stumpf (UFSC)

Resumo: O objetivo deste trabalho é analisar as produções em sala de aula da disciplina de Escrita de Sinais II pelos alunos, surdos e ouvintes, do curso de Letras Libras, e discutir as estratégias envolvidas no ensino-aprendizagem da língua de sinais por meio da escrita e pelo sistema SignWriting. O ato da leitura precisa contar também com informações não-visuais que envolvem a competência linguística do leitor, seu conhecimento sobre o conteúdo do texto e o conhecimento prévio da maneira em que as palavras se integram na linguagem que envolve a gramática e o sentido. O recurso da escrita é essencial na elaboração de um ponto de vista sobre o mundo, meio de distanciamento e de teorização que permite passar do conjuntural, gerado pelo oral, ao estruturado, expresso pelo texto. Escrever e ler em língua de sinais, para o surdo, é o caminho natural. Será que para uma pessoa ouvinte submetida a uma educação bilíngue, se preconizaria como acertado dar-lhe condições para ler e escrever em sua segunda língua, deixando para sua primeira língua apenas o papel da comunicação presencial e imediata? Na verdade, isto aconteceu muitas vezes na história da humanidade, quando populações foram forçadas a esquecer suas línguas naturais. Sabe-se, pelas constatações da sócio-lingüística,o quanto estas populações foram prejudicadas por estes procedimentos coercitivos. Apresentaremos alguns sinais escritos referentes aos aspectos linguísticos, pois a enquanto a pesquisa sobre SignWriting está apenas engatinhando, existem aspectos que possuem a mesma transparência da gramática da língua portuguesa. Percebemos que a morfologia em língua de sinais é pouco explorada e alguns trabalhos sobre o assunto apresentam um tratamento vago, discutindo processos de formação de palavras como derivação (nome de verbo), composição (mostra uma análise da ASL de Liddel (1984), incorporação de números e negação, e flexão. Observamos que deixa no ar o que é exatamente é um morfema, um sufixo, ou uma raiz na língua de sinais por ser a modalidade oral. Identificamos que os produtores escrevem a escrita de sinais na qual encontramos padrões, podendo auxiliar estudoslinguísticos.De acordo com Quadros e Karnopp (2004): a bibliografia é reduzida e limitada, principalmente, ao estudo da língua de sinais americana. Além disso, na língua de sinais brasileira, raros são os estudos linguísticos realizados. Podemos enriquecer esse trabalho aproveitando para incluir a área de sintaxe, pois esta se tornou relevante pelo reconhecimento por parte das teorias de gerativas de morfemas flexionais, nos anos 70 – 80.

Palavras-chave: SignWriting; Libras; Gramática.

3. Estudos Linguísticos da Libras - Aline Garcia Rodero Takahira (USP) e Felipe Venâncio Barbosa (USP)

Resumo: O trabalho pioneiro de Stokoe (1960) na descrição da língua de sinais americana inaugurou os estudos das línguas de sinais como línguas naturais. A identificação da complexidade e dos níveis de análise linguística presentes nas línguas naturais impulsionou o desenvolvimento de estudos linguísticos nas mais variadas línguas de sinais e em diversas áreas do saber. As pesquisas da linguística da língua de sinais brasileira (Libras ou LSB) tiveram início apenas no meio da década de 80 com os trabalhos de Ferreira-Brito (1984, 1986, 1995), e mais especificamente na área da aquisição, nos anos 90, com trabalhos de Karnopp (1994) e Quadros (1995), entre outros. Desde então, essa área passou a ganhar espaço entre os estudos linguísticos no Brasil. Este simpósio busca promover a discussão de diversos aspectos linguísticos, seja através de trabalhos descritivos, comparativos (com outras línguas de sinais), teóricos ou experimentais. Pretende-se abarcar aspectos da Libras ainda pouco explorados, como os aspectos fonológicos (XAVIER, 2006), morfológicos (FELIPE, 2006; FIGUEIREDO-SILVA & SELL, 2009; RODERO-TAKAHIRA, 2010; RODERO-TAKAHIRA & MINUSSI, 2013a, 2013b), sintáticos (QUADROS, 1995, 1999; PIZZIO, 2006; LEITE, 2008) e semânticos (CASTRO, 2007), bem como questões voltadas para a aquisição da Libras como primeira e segunda língua (KARNOPP & QUADROS, 2001; FINAU, 2004; LEITE, 2004; STUMPF, 2005; LODI & MOURA, 2006; GESSER, 2010) e os recentes estudos experimentais e da língua de sinais brasileira atípica que ganharam consistência na última década (MORGAN, HERMAN & WOLL, 2007; BARBOSA, 2007; WOLL & MORGAN, 2012; LICHTIG & BARBOSA, 2012). Também serão bem-vindos trabalhos que versem sobre aspectos linguísticos em outras línguas de sinais e que possam contribuir significativamente para o desenvolvimento do conhecimento da Libras.

Palavras-chave: Libras; Morfossintaxe; Fonologia; Aquisição; Processamento.

4. Ensino e aprendizagem de línguas por surdos - José Carlos de Oliveira (UTFPR) e Sandra Patrícia de Faria do Nascimento (UnB)

Resumo: A relação dos surdos com as diferentes línguas ensinadas no contexto escolar não é determinada por fatores relacionados à surdez, mas por uma série de outros, entre os quais encontram-se: as perspectivas das políticas públicas; o tipo de contexto escolar onde está sendo inserido (escolas especiais, inclusivas ou bilíngues); a escolha da língua a ser empregada no ensino se é a língua de sinais ou a língua portuguesa; os currículos elaborados para o ensino, as metodologias adotadas em sala de aula; as estratégias utilizadas no ensino de línguas orais na modalidade escrita (português, inglês, espanhol...) ser desenvolvida ou não como segunda língua; as identidades e ideologias desenvolvidas durante todo esse processo entre outros; a formação dos professores e dos intérpretes educacionais; a relação entre estes profissionais e os surdos; além do nível de proficiência do aprendiz surdo, em sua primeira língua de sinais. O reconhecimento e entendimento destes fatores favorece a criação de caminhos inovadores para o ensino e acolhe o aprendiz num locus mais apropriado ao seu aprendizado, uma vez que respeita as características, as possibilidades e limitações do ambiente de aprendizagem. Os avanços decorrentes dos estudos na área do ensino de línguas para estudantes surdos e, em especial, na incorporação de novos saberes e práticas ao ensino da Língua Brasileira de Sinais – Libras nas escolas, têm proporcionado distintos benefícios. Os avanços da educação de surdos no Brasil, ancorados no reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais como língua dos surdos brasileiros, acarretaram: (a) o estabelecimento de uma educação bilíngue para surdos, com enfoque na língua de sinais como primeira língua e na língua portuguesa como segunda, (b) a inserção da disciplina Libras como obrigatória, em todos os cursos de formação de professores e fonoaudiólogos, e (c) a criação e ampliação, em todo território nacional, da graduação em Letras-Libras, que vem possibilitando a inserção dos surdos brasileiros nos programas de pós-graduação stricto sensu. Apesar disso, é preciso atenção ao fato de que no ensino de línguas praticado na imensidão de nosso país ainda são encontradas disparidades regionais e institucionais mediante as distintas formas de abordar o ensino de língua de sinais, quer com o enfoque da língua de sinais como parte constitutiva dos sujeitos, quer com o entendimento equivocado, e não científico, da língua de sinais como mero recurso pedagógico, facilitador para a compreensão das línguas orais utilizadas em sala de aula. Assim, este Simpósio surge da necessidade de promover discussões teóricas e aplicadas sobre o ensino de línguas para os estudantes surdos, estabelecer diálogos e intercambio de conhecimento entre os pesquisadores da área, conhecer as realidades e interrelacionar fazeres teóricos e linguístico-educacionais, a partir de abordagens reflexivas e pragmáticas de questões que envolvem o ensino de línguas para surdos, com o fim de congregar resultados de pesquisas, concluídas ou não, e relatos de experiências, numa perspectiva reflexiva, científica e inovadora.

Palavras-chave: Ensino-Aprendizagem; Surdez; Língua de Sinais; Língua Portuguesa.

 

Eixo 13: Linguística Aplicada

1. Escrita, pesquisa e produção de conhecimento na formação de professores - Thomas Massao Fairchild (UFPA) e Sulemi Fabiano Campos (UFRN)

Resumo: O presente simpósio propõe que se procure responder à questão – produz-se conhecimento nas licenciaturas? Esta pergunta assenta-se na premissa de que a formação do licenciado em Letras, sendo uma formação de nível superior, deve dar-lhe não apenas acesso aos produtos mais recentes da pesquisa em sua área, mas condições para participar dos processos de produção do conhecimento que sustenta sua atuação profissional. Sendo assim, a escrita produzida a partir das experiências de prática de ensino vividas na formação não consiste em uma forma de registro ou comprovação de atividades, mas em um trabalho por meio do qual a própria experiência se constitui por meio da pesquisa. Neste simpósio, serão reunidos trabalhos que analisem e discutam textos produzidos por professores em formação (inicial ou continuada) tendo em vista sua relação com os processos de formação do professor e de produção de conhecimento. Propõe-se que a discussão seja articulada em torno de três eixos: 1) de que forma a escrita se constitui enquanto registro de práticas de ensino?; 2) que operações interpretativas são realizadas sobre esses registros ao se escrever?; e 3) que conclusões, análises ou postulados a respeito do ensino são veiculados como resultado dessa escrita?

Palavras-chave: Escrita; Estágio; Formação; Produção.

2. Práticas de escrita em contextos de formação - Wagner Rodrigues Silva (UFT) e Adair Vieira Gonçalves (UFGD)

Resumo: Neste simpósio, pretendemos reunir trabalhos com resultados parciais ou finais de pesquisas que construam práticas de escrita, em diferentes contextos de instrução, como objetos de investigação científica. As práticas de escrita focalizadas compreendem parte do trabalho didático realizado pelo docente em diferentes níveis de ensino, perpassando a escola básica e a universidade, envolvendo ainda a formação inicial e continuada de professores atuantes em diferentes disciplinas escolares. Por situarmos o simpósio no campo investigativo indisciplinar da Linguística Aplicada, esperamos agrupar pesquisas informadas por abordagens teórico-metodológicas originárias de diferentes áreas ou disciplinas do conhecimento, resultando na construção de objetos complexos de investigação. Interessam-nos também pesquisas que analisam a transformação pela qual passam os objetos de ensino (e aqui a escrita materializada em gêneros discursivos) didatizados a ensinados efetivamente, configurados metodologicamente em sequências didáticas, projetos de letramento, projetos didáticos de gêneros ou outras formas de composição curricular. Para tal, três pontos de vista podem ser adotados: (i) objetos e instrumentos; (ii) o agir do professor e, por fim, (iii) aprendizado do aluno. As discussões instauradas durante a sessão contribuirão para as investigações desenvolvidas nos grupos de pesquisa Práticas de Linguagens em Estágios Supervisionados – PLES (UFT/CNPq) e Gêneros Discursivos e Formação de Professores – GEDFOR (UFGD/CNPq).

Palavras-chave: Gêneros; Letramentos; Material Didático; Reescrita; Texto.

3. Linguagem, enunciação e comunidades discursivas - Maria Cecília Pérez de Souza-e-Silva (PUC-SP) e Ana Raquel Motta (PUC-SP)

Resumo: Este simpósio tem por objetivo ser um espaço de reflexão e troca entre pesquisadores que se dedicam ao estudo da relação entre linguagem e comunidades discursivas com diferentes enfoques teórico-metodológicos. Partimos do princípio de que o discurso, para além de um ponto de vista ou de uma estrutura ideológica sem forma, é um conjunto de práticas discursivas intersemióticas. Com isso, acreditamos que seja possível recuperar no enunciado posicionamentos sócio-históricos, em seu pertencimento a campos e gêneros discursivos diversificados. Interessa-nos analisar a imbricação entre uma materialidade textual (em sentido amplo, incluindo-se aí o verbal, o visual e o musical, por exemplo) e o modo de existência de um conjunto definido de indivíduos, o que caracteriza comunidades discursivas formadas a partir de práticas comuns. Tais práticas podem ter como base a identidade profissional, de trabalho, política, artística, etária, étnica, de gênero, de classe, entre outras. Pretendemos que os trabalhos incluídos neste Simpósio analisem corpora discursivos provenientes de atividades humanas em que a comunidade se faça de algum modo presente. Também serão acolhidas comunicações total ou parcialmente teóricas, que discutam a pertinência de conceitos e distinções para análise desse tipo de corpora, por exemplo: a questão da identidade social, profissional, individual e discursiva, as comunidades de prática, as normas antecedentes, os debates de normas, o uso de si, a relação sujeito-comunidade, as alianças e os conflitos na atividade.

Palavras-chave: Práticas Discursivas; Comunidade Discursiva; Atividade de Trabalho; Norma/Renormalização.

4. Identidades urbanas e discurso - Maria José Rodrigues Faria Coracini (UNICAMP) e Deusa Maria de Souza Pinheiro Passos (USP)

Resumo: O simpósio intitulado "Identidade Urbanas e Discurso", parte do interesse em investigar a constituição e circulação de certos discursos relacionados a identidades urbanas. Dentre eles, merece atenção dizeres que habitam as redes sociais, onde atualmente discute- se com crescente frequência a questão de responsabilidade humanitária e solidariedade, justamente porque esses valores parecem estar passando por um processo de esmaecimento ou rarefação nas sociedades ditas pós-modernas, com ênfase nos centros urbanos. Vários são os casos mencionados reiteradamente pela mídia televisiva e, especialmente, virtual, como por exemplo, o menino que perdeu o braço, atacado por um tigre num zoológico brasileiro. Apesar da violência, que exigiria atitudes por parte daqueles que presenciavam o acontecimento, nada foi feito para livrar o garoto em/do perigo, limitando-se aqueles não diretamente concernidos a certas formas de contemplação, mediadas pelo uso de algum dispositivo eletrônico (câmera de celular, tablete, etc.). A opção de registrar a cena em vídeo coloca em questão um objeto (uma câmera, o medo...) entre o sujeito e "a realidade", espécie de artifício com a função de desviar o sujeito de um gesto responsável ou ético. Outros discursos a serem analisados referem-se à questão da (in)visibilidade do sujeito em situação de rua, de pobreza ou, ainda, de exclusão por "deficiências" como surdez, cegueira, paralisia etc. O estudo da (in)visibilidade do sujeito urbano em escritos na web (blogs, páginas pessoais...), levando a novas formas autorais no espaço virtual, além da construção, pela mídia, virtual ou não, de estereótipos de professor e aluno também se inserem na presente proposta. Assim, o simpósio em questão pretende analisar esses discursos, além de outros que contemplam a questão da inclusão/exclusão e que passam pela ética, aqui entendida como responsabilidade, individual e social, o que fica ainda mais evidente no espaço urbano. A análise da materialidade linguística dos registros coletados aponta para a percepção de que, em muitas dessas situações, a (in)visilibilidade do sujeito se apresenta de forma "escancarada", convocando-nos à ação e, ao mesmo tempo, paralisando-nos diante delas, sem saber o que fazer, a não ser colaborar para transformá-las em espetáculo (por meio de filmes e de fotos), em verdadeiros acontecimentos, a serem exibidos pelos veículos midiáticos. Do ponto de vista teórico-metodológico, a análise se baseia em estudos do discurso, da desconstrução e da psicanálise freudo-lacaniana.

Palavras-chave: Discurso; Ética; Inclusão/Exclusão; Mídia; Ensino de Língua.

5. Epistemologia da pesquisa no campo aplicado - Ines Signorini (UNICAMP) e Maria Inêz P. Lucena (UFSC)

Resumo: O objetivo deste Simpósio é reunir trabalhos que discutam questões epistemolõgicas de interesse para a pesquisa no campo aplicado dos estudos da língua(gem), com destaque para a seguinte questão específica: quando e porque as epistemologias linguísticas não são o limite para a pesquisa nesse campo. A diversidade das vertentes da pesquisa contemporânea nesse campo específico deverão ser contempladas.

Palavras-chave: Linguística Aplicada; Campo Aplicado; Epistemologia; Língua(gem).

6. Multimodalidade em práticas de leitura e escrita na internet - Petrilson Alan Pinheiro (UNICAMP) e Edilaine Buin Barbosa (UFGD)

Resumo: Tento em vista que, cada vez mais, novas práticas de letramento vêm surgindo no ciberespaço, o objetivo deste simpósio é expor e discutir trabalhos que envolvam a construção de sentidos na internet, tematizando, mais especificamente, a questão da multimodalidade presente em práticas de leitura e escrita no mundo digital. Com base na abordagem teórico-analítica dos multiletramentos (NEW LONDOW GROUP, 1996; COPE & KALANTZIS, 2000; KRESS 2010), que está voltada para os estudos semióticos dos textos, envolvendo as diferentes formas de produzir, veicular e consumir textos multimodais, propõe-se, por meio deste simpósio, reunir trabalhos do campo da linguística aplicada que busquem refletir e problematizar sobre aspectos relativos à estrutura e ao funcionamento dos textos multimodais no meio digital, estabelecendo, com isso, conexão entre dados empíricos e teoria social, incluindo relações de poder, de identidade cultural e de conhecimento científico, que passam a ter seu escopo ampliado em decorrência do surgimento de novas tecnologias da informação e da comunicação.

Palavras-chave: Multimodalidade; Internet; Leitura; Escrita; Linguística Aplicada.

7. Interatividade e mediação na educação a distância - Maria Cristina Ataide Lobato (UFPA) e Solange M. Sanches Gervai (PUC-SP)

Resumo: A educação a distância é uma realidade cada vez mais reconhecida e globalizada. Seu crescimento modifica, em grande medida, um conjunto de variáveis que definem os cenários educacionais, tais como os papéis de alunos e professores e as formas de interação entre eles. Por ocupar espaço cada vez mais central em cursos de extensão, graduação e pós-graduação, não podemos deixar de pensar, pesquisar e compartilhar reflexões sobre esse tema, contribuindo para o debate e para o trabalho em EAD. Este simpósio tem o objetivo de abrir espaço para o compartilhamento de estudos sobre a mediação no processo de ensino-aprendizagem em cursos a distância ou semi-presenciais, com o propósito de reunir a produção acadêmica de diferentes vozes e avançar sobre o conhecimento das relações interativas neste importante cenário da educação contemporânea. Assim, neste simpósio aceitam-se trabalhos que discutam problemas relacionados à mediação professor/aluno, aluno/aluno, professor/tutor; aluno/conhecimento, etc., em ambientes síncronos e assíncronos de educação a distância.

Palavras-chave: Educação; Mediação; Interação.

 

Eixo 14: Linguística Computacional

Não houve simpósios aprovados até o momento.

 

Eixo 15: Linguística da Enunciação

1. Estudos enunciativos – Juciane dos Santos Cavalheiro (UEA) e Pedro Farias Francelino (UFPB)

Resumo: Este GT pretende congregar estudos voltados para a temática da enunciação, compreendida como ato de produção de discursos na relação entre sujeito e língua. Aceitar-se-ão pesquisas desenvolvidas a partir de diferentes perspectivas teórico-metodológicas, tais como as teorias enunciativas de Oswald Ducrot, Émile Benveniste, Mikhail Bakhtin/Valentin Volochínov, Jacqueline Auhtier-Revuz, Kerbrat-Orecchioni, Antoine Culioli, dentre outros.

Palavras-chave: Enunciação; Sujeito; Sentido; Interação; Interfaces.

2. Mulheres e espaços enunciativo-discursivos: imagem e memória, processos de identificação e espaços de enunciação da/sobre mulher - Ana Josefina Ferrari (UFPR) e Mônica Oliveira Santos (UNIP)

Resumo: Com essa proposta, queremos ampliar e aprofundar a discussão sobre a produção e interdição histórico-discursiva de lugares de enunciação para e de mulheres, na sua relação constitutiva com os processos de subjetivação/identificação do sujeito do discurso. Para isso, considera-se a contradição de filiações de sentidos e memórias discursivas e espaços enunciativos, a partir dos quais se produzem os processos de identificação, tanto de gênero, quanto outras a ela relacionadas e historicamente entrelaçadas . Propomos para o presente simpósio, receber trabalhos que apresentem a análise de diferentes materialidades enunciativas sobre-das mulheres: vídeos, textos, cinema, jornal, propaganda, pronunciamentos políticos dentre outras. Consideraremos, nestas materialidades, que a categoria de mulher pode ser pensada como um espaço de dizer, de se dizer mulher. Um espaço discursivo que não se contrapõe ao homem e sim que se constitui na sua própria discursividade. Concordamos com Guimarães 2002 quando afirma que "o sujeito que enuncia é sujeito porque fala de uma região do interdiscurso entendendo este como uma memória de sentidos. Memória que se estrutura pelo esquecimento de que já significa (Orlandi 1999). Ser sujeito de seu dizer, ser sujeito, é falar de uma posição de sujeito." Guimarães 2002 p.p.14 Propomo-nos, portanto, observar o funcionamento das redes de memória e os processos de subjetivação e identificação.

Palavras-chave: Mulheres; Memória; Espaços Enunciativos; Imagem.

 

Eixo 16: Linguística de Corpus

1. Abordagem e metodologia da Linguística de Corpus na análise linguística - Guilherme Fromm (UFU) e Barbara Malveira Orfano (UFSJ)

Resumo: O século XXI consolidou o uso dos computadores nos mais diversos tipos de análise linguística. A Linguística Computacional e a Linguística de Corpus, ambas surgidas no fim do século XX e consolidadas no início deste século XXI, estabeleceram os parâmetros de análise e metodologias para os diversos tipos de pesquisas que se seguiriam na descrição de línguas. Os estudos baseados em corpora consolidaram as descrições empíricas das línguas, baseadas em estudos probabilísticos. O objetivo deste simpósio é apresentar estudos que se baseiam na abordagem e na metodologia da Linguística de Corpus. Pretendemos, aqui, divulgar as pesquisas, baseadas em ou conduzidas por corpora, que trabalhem com (entre outros assuntos): a. os processos de compilação de corpora escritos gerais (de língua) ou de especialidade, mono- bi- ou plurilíngues; b. as experiências na compilação de corpora orais; c. a compilação de corpora literários para a descrição de língua; d. a compilação de corpora diacrônicos; e. trabalhos colaborativos na compilação de corpora; f. reaproveitamento de corpora já compilados para análise linguística; g. os repositórios de corpora e as ferramentas de análise neles embutidas; h. o uso das suítes de análise lexical (como o Wordsmith Tools e o AntConc, entre tantas outras) e suas ferramentas; i. as ferramentas de análise lexical avulsas disponíveis no mercado; j. as ferramentas de extração automatizadas de corpora a partir da Internet; k. a Internet como corpus para a descrição de línguas; l. a construção de ferramentas computacionais para análises específicas; m. a descrição de ambientes de gestão lexicográfica ou terminológica que sejam baseados em ou tenham relações com corpora; n. a criação de obras lexicográficas e terminográficas, em formato impresso ou digital, baseadas em corpora; o. criação de obras didáticas baseadas em estudos com corpora; p. a interlíngua daqueles que estudam uma língua estrangeira, em corpora de aprendizes.

Palavras-chave: Linguística; Abordagem; Metodologia; Corpora.

2. Linguística de Corpus: aplicações atuais e novos caminhos - Tania M G Shepherd (UERJ) e Patricia Bertoli (UERJ)

Resumo: O simpósio é uma oportunidade para a discussão de trabalhos acadêmicos que, de alguma forma apresentam uma interface entre aplicações da Linguística e os princípios e conceitos da Linguística de Corpus. A proposta é debatermos estudos sobre as interfaces entre Linguística de Corpus e ensino, estudos de tradução, estudos do discurso, sociolinguística e estilística, entre outros, incluindo-se aí também aqueles estudos com corpora diacrônicos. São especialmente bem vindos os estudos que apontam para novos caminhos e aplicações da Linguística de Corpus, especialmente aqueles que lidam com corpora provenientes da web.

Palavras-chave: Linguística; Corpus; Ensino; Tradução; Discurso.

 

Eixo 17: Linguística de Texto

1. Intersecções teóricas para o ensino do português: o texto em perspectiva – Hilma Ribeiro De Mendonça Ferreira (UERJ) Dayhane Alves Escobar Ribeiro Paes (UERJ)

Resumo: Sendo a Linguística textual (LT) uma ciência centrada nos atributos constitutivos da materialidade do texto, calca sua análise em aspectos que partem da superfície enunciativa. Existe, portanto, uma relação de atributos e competências necessárias à aquisição dos sentidos, sendo enunciador e enunciatários construtores no processo interpretativo, durante a interação comunicativa. A partir dessa perspectiva analítica desdobram-se estudos importantes para a análise da produção dos sentidos, por meio do texto. Desde as propostas de análise transfrástica, operada nos limites sintáticos da oração e do texto, passando pela construção de gramáticas para entendimento textual, já vislumbrando análises para além dos limites da frase, até o alcance do discurso, quando ancora-se à análise textual na esfera do discurso. Interseccionam-se, portanto, três esferas diferenciadas que compreendem propriedades materiais e discursivas relacionadas ao processo de aquisição dos sentidos. As diferentes fases teóricas da LT a transformam em uma ciência da linguagem, elevada a domínios analíticos diferenciados. Os fatores do que se compreende por texto, tal como enumerados por Beaugrande e Dressler (1981) podem ser estudados no âmbito de outras ciências linguísticas que, conjugadas à LT refletem contribuições importantes. É notório que o texto pode ser encarado como um conjunto de "partes" que estabelecem relações de interdependência semântica na qual a referenciação pode ser encarada como responsável pela conexão semântica dessas "partes" do texto e pela progressão referencial. Dessa maneira, fazer referência não se reduz a nenhum tipo de asserção. Referir não é assertar, embora façamos referência com o objetivo de fazer uma assertiva. O ato de referir é, sobremaneira, atribuir um sentido aos referentes. Sob este prisma, torna-se necessário destacar a diferença entre o que, tradicionalmente, se tem chamado de referência e o que, hoje, se denomina processo de referenciação (KOCH, 1998, 2002; MARCUSCHI, 1998, 1999). Essa atividade discursiva, especificamente, do ponto de vista da produção escrita, opera sobre o material linguístico, que tem a sua disposição, e procede escolhas significativas para representar estados de coisas, de modo condizente com o seu projeto de dizer (KOCH, 2002: 199). Dado o exposto, é latente a necessidade de se buscarem soluções para a problemática que envolve a questão do ensino da língua no que compete aos usos sociais da linguagem e seus compêndios textuais. Logo, pode-se afirmar que a intersecção de esferas analíticas é plausível à observação do texto, mais relacionadas à materialidade ou ancoradas no contexto discursivo. Existe, portanto, na relação dos escopos analíticos uma esquematização de estudos que, mais ou menos relacionados, podem contribuir com uma mensuração de diferentes categorias para análise da textualidade. Os fatores de coesão, coerência e intencionalidade são exemplos de escopos analíticos da LT que encontram-se imbricados. Existem, por isso, objetos de análise diferenciados, categorizados por estudiosos oriundos de ciências linguísticas, que serão mais voltados para o âmbito do texto ou do discurso. Assim, coadunam-se os esforços para a análise dos processos de aquisição e produção dos sentidos, por meio da leitura e da escrita em estudos que podem oferecer contribuições para a LT. Por essem motivo, o presente Simpósio, ancorado no eixo temático "Liguística do Texto", busca reunir estudos e pesquisas concluídos ou em desenvolvimento, no intuito de refletir acerca do trabalho verificado na análise do texto em contexto de ensino de língua materna, bem como buscar reorientações metodológicas que possam efetivamente contribuir, segundo Bechara, para a formação do aluno "poliglota em sua própria língua", capaz de desenvolver e exercer sua cidadania com vistas de promover práticas que tenham como cerne a apropriação dos recursos textuais. O Simpósio apoia-se nas pesquisas de Koch (1999), Koch e Travaglia (1999), Marcuschi (2007; 2005; 2009), Austin (1962), Searle (1981), Goffman (1980) e Grice (1982), entre outros estudiosos que vêm estabelecendo novos olhares sobre as intersecções teóricas da LT para o ensino do português com o texto em perspectiva.

Palavras-chave: Linguística Textual; Ensino de Português; Texto em Perspectiva; Discurso; Intersecção.

2. Texto, discurso & CIA - Paulo de Tarso Galembeck (UEL) e Luciane Braz Perez Mincoff (UEM)

Resumo: Este simpósio tem por objetivo reunir pesquisa- dores que estudam o texto e o discurso, com o objetivo de aproximar diferentes propostas teóricas e metodológicas e verificar as compatibilidades e as diferenças existentes entre essas propostas. Serão particularmente consideradas as comunicações referentes a um dos temas mencionados a seguir: a) as diferentes concepções de língua e a relação entre elas e as diferentes concepções de texto e discurso; b) a trajetória dos estudos do texto/discurso e as bases epistemológi- cas e metodológicas das diferentes abordagens do texto e do discurso; c) diferentes concei- tuações de sujeito, e as relações entre elas e as diferentes formulações das noções de língua, texto e discurso; d) as noções de contexto, condições de produção e sujeito situado; e) a problemática da construção dos sentidos textuais: o papel dos sujeitos, do contexto comum partilhado, das condições de produção, da ideologia e do inconsciente; f) processos de construção textual: os fatores de textualidade, os pressupostos e as inferências; g) a problemática dos tipos e gêneros textuais: dimensão sócio-histórica e interacional dos gêneros; h) textos sincréticos e diferentes linguagens: correlação e complementaridade entre as diferentes formas de expressão na formulação dos textos, na construção dos sentidos e na interação entre os participantes do ato discursivo; i) autoria e enunciação: as diferentes vozes e a memória na construção do texto/discurso; j) os processos enunciativos como resultados de escolhas efetuadas pelo sujeito: intenção e busca dos sentidos pretendidos; l) o futuro dos estudos do texto/ discurso: novas tendências, novos objetos de estudo e a possibilidade de conciliar diretrizes opostas. Cabe acrescentar, em forma de conclusão, que a abrangência e a diversidade dos temas indicados decorrem da proposta geral deste simpósio: reunir pesquisadores de diferentes tendências e linhas teóricas, com diferentes objetos de estudo, como forma de estimular o debate e o diálogo entre eles.

Palavras-chave: Texto; Discurso; Enunciação; Sujeito; Sentido.

 

Eixo 18: Linguística e Cognição

1. Estudos gramaticais e textuais/discursivos da língua em uso, na perspectiva funcional/cognitiva - Adriana Maria Tenuta (UFMG) e Ana Larissa Oliveira (UFMG)

Resumo: A proposta do Simpósio é reunir pesquisadores no campo da Linguística que se voltam para a descrição do funcionamento ou da estrutura da língua em seu contexto de uso. Esses estudos devem ser conduzidos sob uma perspectiva funcional e/ou cognitiva. Os dados focalizados nas pesquisas podem ser retirados de grandes corpora já disponíveis ou serem coletados especificamente para o estudo. O foco das pesquisas pode estar em um aspecto gramatical específico ou em questões de ordem textual ou discursiva. As pesquisas devem enfocar a língua em uso, considerando as relações necessárias entre os recursos gramaticais e os aspectos semânticos e funcionais das unidades linguísticas. Os trabalhos podem descrever, explicar e/ou interpretar algum aspecto gramatical ou de organização textual da língua em uso; comparar os usos reais da linguagem verbal dentro de seus respectivos contextos ou situações de uso; refletir sobre o ensino ou a aquisição de algum aspecto gramatical ou de organização textual; comparar aspectos gramáticas ou de organização textual do português com os de uma língua estrangeira. O simpósio abrigará trabalhos com perspectivas metodológicas variadas desde que conduzam investigações de ordem funcional, ligados à gramática funcional, ou que levem em conta a relação entre linguagem e cognição, ligados, principalmente, a modelos teóricos da linguística cognitiva, tais como o modelo da mesclagem conceptual, dos espaços mentais, gramática de construções ou gramática cognitiva; podem se apoiar em noções tais como as de frames, domínios, modelos cognitivos, figura e fundo, perspectivação, ou nas estruturas temática e informacional.

Palavras-chave: Língua em Uso; Gramática; Discurso; Funcionalismo; Cognição.

 

Eixo 19: Morfologia

1. Morfologia e suas interfaces - Ana Paula Scher (USP) e Rafael Dias Minussi (UNIFESP)

Resumo: A Morfologia, como um componente da gramática, vem recebendo grande atenção dentro da pesquisa atual em teoria gramatical e os estudos que investigam os fenômenos que se realizam nesse componente, vêm se desenvolvendo intensamente nas últimas décadas. A partir do texto clássico de Chomsky (1970) Remarks on Nominalization, abriram-se as portas para os estudos de fenômenos ligados à derivação das palavras partindo, em princípio, de uma perspectiva lexicalista para os estudos sobre os processos morfológicos. Até o início da década de 90, a chamada Hipótese Lexicalista vigorava nos trabalhos sobre temas ligados à morfologia (cf.; ARONOFF, 1976, 1994; ANDERSON, 1982; DI SCIULLO; WILLIANS, 1987; BASILIO, 1987). Percebe-se, nesse momento, que a pesquisa em morfologia começa a ser realizada tendo em vista a investigação da existência de um módulo morfológico, propriamente dito, dentro da teoria, um módulo autônomo, com suas próprias regras. Uma proposta como essa diferia, fundamentalmente, do modo como os estudos em morfologia eram feitos antes, seja por um viés sintático, como propunham grande parte dos estudos em morfossintaxe, ou por um viés fonológico, como no caso da Fonologia Lexical (cf. KIPARSKY, 1982). Contudo, embora os resultados desses e de outros estudos em morfologia já tenham fornecido evidências em favor da existência de um componente morfológico independente na arquitetura da gramática, é inegável que a morfologia faz uma interface ampla com outros níveis de análise. Isso se reflete na enorme gama de estudos que podem ser realizados sob a perspectiva morfológica, abordando questões tais como: (i) a definição de morfema (afixos, infixos, circunfixos), que envolve um estudo sobre o significado e a fonologia; (ii) o estudo sobre a definição de palavra, que pode envolver desde um estudo lexicológico, lexicográfico, etimológico, para o tratamento das noções de base, raiz e radical, até uma perspectiva fonológica e geolinguística; (iii) a análise de processos morfológicos tais como composição e a formação de nominalizações; o primeiro envolve questões fonológicas como acento, prefixação e sufixação; o último possui um forte caráter sintático, pois corresponde a mudanças na estrutura argumental de um verbo; e iv) a distinção, se for o caso, entre morfologia flexional e derivacional. Tendo em mente as várias faces da morfologia traçadas acima, este simpósio pretende promover um debate sobre a interação entre a morfologia, uma área já consolidada nos estudos gramaticais, e outras áreas dos estudos linguísticos, sejam elas: a fonologia, a sintaxe ou a semântica, além de outros campos do conhecimento, tais como a descrição de línguas indígenas, a descrição de línguas sinalizadas, a lexicologia, a aquisição de linguagem, os estudos sobre processamento da linguagem, etc, tendo como base para essa discussão qualquer fenômeno ligado à morfologia. Desse modo, encorajamos o envio de trabalhos envolvendo qualquer um dos aspectos já citados, assim como trabalhos que se voltem para questões internas ao componente morfológico, ou questões internas a um determinado modelo teórico (seja sob o viés lexicalista ou sob o viés não-lexicalista), além de trabalhos que discutam fenômenos morfológicos em mais de uma teoria.

Palavras-chave: Morfologia; Morfossintaxe; Morfofonologia; Morfossemântica; Interface.

2. Debates sobre Morfologia a partir dos textos da tradição greco-romana – Fernanda Cunha Sousa (UFJF) e Fábio da Silva Fortes (UFJF)

Resumo: Novo título: Morfologia do Latim: debates a partir da tradição gramatical antiga. A emergência da Linguística como saber científico claramente definido é um fenômeno muito recente, embora o interesse pela linguagem humana tenha movido estudiosos e pensadores há mais de dois milênios, quando os antigos filósofos gregos já reservavam parte de seus tratados para discorrerem sobre retórica, argumentação, gramática e origem das línguas. Redigiu-se também na Antiguidade Greco-latina um conjunto de textos que continham questões sobre as línguas ou sobre usos particulares delas, registrando-se conceitos que estariam na base do pensamento linguístico medieval e que seriam, em parte, herdados pelos estudiosos do Renascimento e eventualmente retransmitidos à posteridade. Este simpósio tem como objetivo trazer à tona conceitos relativos à morfologia do Latim que foram tratados pelos gramáticos latinos, permitindo que se estabeleçam, inclusive, relações com abordagens contemporâneas dos mesmos fenômenos no âmbito das modernas ciências da linguagem. Serão acolhidas propostas que mapeiem, por exemplo, o tratamento que a tradição gramatical antiga reservou a fenômenos relacionados à categorização, definição e nomenclaturas descritivas das palavras e de seus paradigmas flexionais, assim como suas relações com a doutrina morfológica clássica e seus desdobramentos na formulação da gramática medieval e moderna, com consequências para o projeto de constituição da própria Linguística.

Palavras-chave: Morfologia; Estudos Linguísticos; Antiguidade Clássica.

 

Eixo 20: Neurolinguística e Neurociências Aplicadas à Linguagem

1. Neurolinguïstica: abordagem discursiva – Rosana do Carmo Novaes Pinto (UNICAMP) e Maria Irma Hadler Coudry (UNICAMP)

Resumo: Este simpósio visa abrigar trabalhos que tematizem a linguagem no campo dos estudos neurolinguísticos, na perspectiva discursiva. Interessa-nos discutir questões teórico-metodológicas relacionadas ao estado "normal" ou nas patologias (afasias, demências, psicopatologias, atrasos de desenvolvimento etc), bem como questões relativas à aprendizagem/desenvolvimento de leitura e escrita. Incentiva-se também a apresentação de resultados de estudos de casos, desenvolvidos em ambiente clínico ou escolar.

Palavras-chave: Neurolinguística; Afasia; Leitura e Escrita; Patologização; Patologias.

 

Eixo 21: Política Linguística

1. A dialética entre o "eu" e o "outro" nas identidades fronteiriças e interculturais - Hilario Inacio Bohn (UCPel) e Viviane Maria Heberle (UFSC)

Resumo: Os estudos linguísticos da contemporaneidade focados nas práticas sociais mostram a complexidade e a traduzibilidade dos enunciados que discursam as identidades, as profissões, as sexualidades, as etnias e raças, as multi e interculturalidades que se fazem, especialmente, presentes nas inúmeras "fronteiras" e postos de controle em que as autoridades carimbam os passaportes para os pertencimentos almejados pelos visitantes. Convida-se para este Simpósio pesquisadores interessados em questionar as "palavras simples" sobre as diversas fronteiras em que os seres humanos (brasilidades, etnias, sexualidades, por ex.) estão diariamente envolvidos, seja nas enormes fronteiras geográficas em que as línguas, as culturas derretem no hibridismo ou se confrontam na diferença; seja na impossibilidade de se apagar os estereótipos históricos suturados nos sentidos das palavras, porque às minorias nega-se o direito, segundo Gordon (2008), de permanecerem "na relação dialética entre o Eu e o Outro". Eles simplesmente são nomeados alunos, estrangeiros, negros, lésbicas, homo(trans)sexuais, indígenas, mulheres, nordestinos, blackblockers, gaúchos, caipiras ou colonos. Espera-se que as linearidades e as temporalidades que se perdem no passado e ossificam os sentidos do presente e definem a teleologia dos valores (do futuro) possam ser desconstruídos pelos pesquisadores que participam do Simpósio, e assim, criem-se interstícios ou, segundo Bhabha (2005), um terceiro espaço em que se elimina a linearidade dos sentidos linguísticos. Nesse sentido, os/as pesquisadores/as do simpósio podem analisar documentos/textos/corpora escritos, orais, multimodais, a partir de diferentes arcabouços teórico-metodológicos.

Palavras-chave: Identidades; Fronteiras; Interculturalidades; Política Linguística; Hibridismos.

2. Inovação na produção de conhecimentos sobre línguas indígenas - Bruna Franchetto (UFRJ) e Gélsama Mara Ferreira dos Santos (UNIFAP)

Resumo: Este Simpósio tem o objetivo de reunir pesquisadores e trabalhos que possam apresentar tópicos e experiências inovadoras no campo da documentação e dos estudos de línguas ameríndias. Assistimos nos últimos 10 anos ao crescimento, em quantidade e qualidade, das pesquisas e da documentação de línguas indígenas, numa pluralidade de abordagens teóricas e metodológicas. Destacamos os resultados de vários projetos de documentação, na maioria concentrados em programas de alcance nacional em instituições públicas brasileiras. Mais recentemente, novos temas estão despontando e atraindo o interesse dos linguistas dedicados ao estudo de línguas indígenas e investigações interdisciplinares, marcando inovações metodológicas e teóricas, a produção de novos conhecimentos e a importância de novos sujeitos produtores de conhecimento. Queremos, ao mesmo tempo, atravessar fronteiras disciplinares. O Simpósio se estrutura em 2 sub-temas: (1) documentação linguística e revitalização; (2) artes verbais, poéticas ameríndias e tradução. Para o primeiro sub-tema destacamos pesquisas inéditas sobre línguas de sinais indígenas, a produção diferencial de conhecimentos na formação de pesquisadores indígenas e a demanda por novas metodologias para projetos de revitalização de línguas seriamente ameaçadas ou supostamente extintas. Para o segundo sub-tema consideramos a relevância de estudos qualificados de artes verbais indígenas, frequentemente marginalizadas ou ignoradas na documentação e descrição, apesar de constituir ricas fontes de informações linguísticas, históricas e culturais, e que em breve poderão ser irrecuperáveis.

Palavras-chave: Línguas Indígenas; Documentação; Teorias Linguísticas; Revitalização.

3. Línguas de herança - aspectos teóricos, metodológicos e pedagógicos - Maria Célia Lima-Hernandes (USP) e Roberval Teixeira e Silva (UM)

Resumo: Este simpósio prevê a acolhida a trabalhos que discutam o conceito de língua de herança, delimitando o conceito em abordagens teóricas, metodológicas ou pedagógicas. A ideia é alcançar experiências, ouvir relatos, discutir surveys ou mesmo refletir sobre análises sociolinguísticas desenvolvidas sobre a diferença entre conceitos de interlíngua, língua oficial, língua em uso, língua materna e suas correspondentes plurais, já que a herança sempre é singular, peculiar e particular, mas reverbera aspectos socioculturais que devem ser levados em conta em sua abordagem pedagógica para que um frutífero debate seja desenvolvido. Sugerimos, dentre outros, os seguintes temas como prioritários: preconceito, singularidade, heterogeneidade, bilinguismo, sociocultura, língua materna, língua de herança, oficialidade x uso linguístico, estatuto prioritário de línguas e prestígio.

Palavras-chave: Línguas de Herança; Política Linguística; Estatuto Linguístico; Oficialidade; Prestígio.

4. Políticas de línguas no Brasil em perspectiva - Telma Cristina de Almeida Silva Pereira (UFF) e Tatiana Pereira Carvalhal (UNILA)

Resumo: Este simpósio tem por objetivo reunir pesquisadores em torno do tema Políticas Linguísticas, com ênfase, sobretudo, nas avaliações das políticas de línguas implementadas no Brasil nos últimos vinte anos. O simpósio pretende apresentar procedimentos analítico-metodológicos e resultados de pesquisas derivadas das seguintes temáticas: - Educação bilíngue/ plurilíngue; - Normas e representações linguísticas; - Políticas linguísticas em situação de contato linguístico; - Políticas linguísticas e internacionalização universitária; - Políticas linguísticas para a internacionalização da língua portuguesa.

Palavras-chave: Política de Línguas; Plurilinguismo; Educação; Internacionalização.

 

Eixo 22: Psicolinguística

1. Processamento cognitivo da linguagem - Eduardo Kenedy (UFF) e Erica dos Santos Rodrigues (PUC-Rio)

Resumo: A proposta de um Simpósio sobre Processamento Cognitivo da Linguagem atende ao fato de este campo da Psicolinguística estar em crescimento no Brasil, com a criação de novos laboratórios que se somam aos poucos já existentes (LAPROL/UFPB; Laboratório de Psicolinguísticas e Ciências Cognitivas/UFC; GEPEX/UFF; NEALP/UFJF; ACESIN/UFRJ; Laboratório Virtual de Psicolinguística/UFMG; LAPAL/PUC-RJ; LAPEX/UFRJ, entre outros), mas que ainda constitui um campo de estudos relativamente emergente, quando comparado a outros das ciências da linguagem. O simpósio tem como objetivo dar visibilidade ao que tem sido feito em âmbito nacional na área e, ao mesmo tempo, fomentar a discussão teórica e metodológica. Para tanto, pretende agrupar trabalhos que versem sobre o processamento da linguagem, em adultos e crianças, nos vários níveis de descrição linguística. Assim, serão aceitas pesquisas que foquem o processamento de informação fonético-fonológica, modelos de léxico mental e teorias de acesso e de representação lexical, modelos e teorias de parser e de formulação linguística que contemplem os componentes sintático e semântico/pragmático da gramática. Busca-se, deste modo, prover evidências empíricas que sustentem hipóteses explicativas sobre fenômenos de desempenho linguístico observados em diferentes variedades do português (brasileiro, europeu, africano) e em outras línguas. No âmbito desses estudos, também serão consideradas propostas voltadas à investigação de fenômenos de interface entre os níveis morfológico, sintático e semântico/pragmático bem como de fenômenos ligados ao processamento linguístico por sujeitos portadores de patologias de linguagem e a fenômenos relacionados ao processamento linguístico em bilíngues. No que tange a pesquisas sobre aquisição de linguagem, serão aceitos particularmente trabalhos que assumam uma perspectiva de processamento linguístico e um modelo de gramática internalizada, buscando caracterizar habilidades precoces de processamento lexical e sentencial, além de objetivarem a caracterização do desenvolvimento da capacidade de processamento fônico e morfossintático. Os trabalhos devem se enquadrar não apenas no tema proposto, na forma como aqui descrita, mas também apresentar metodologia experimental com emprego de técnicas off-line e on-line (leitura e audição automonitorada, priming, julgamento de gramaticalidade controlado, rastreamento ocular, EEG, fMRI, entre outras). Não há restrições quanto ao referencial teórico adotado, sendo aceitos, portanto, trabalhos de vertentes modularistas, conexionistas ou interativistas. Com esse amplo escopo, espera-se a participação de pesquisadores que possam prover insights sobre o processamento linguístico no âmbito da Psicolinguística e de áreas afins, como a Psicologia Cognitiva e a Neurociência da Linguagem.

Palavras-chave: Psicolinguística; Processamento; Cognição.

2. Línguas indígenas e linguística experimental - Suzi Oliveira de Lima (UFRJ) e Cilene Rodrigues (PUC-Rio)

Resumo: Pesquisas em aquisição e processamento, com o objetivo de documentar e analisar teoricamente línguas indígenas, têm-se desenvolvido nos últimos anos. Essas pesquisas nos trazem, não apenas novos métodos de coleta de dados, descrição e análise, mas, principalmente, a possibilidade de revisar hipóteses teóricas calcadas em línguas indo-europeias bem estudadas. As línguas indígenas brasileiras têm o potencial de contribuir com novas evidências tanto para a literatura teórica sobre universais e parâmetros linguísticos como também para a discussão e refinamento de metodologias para documentação de línguas minoritárias e/ou pouco descritas. Assim dito, propomos um simpósio sobre o tema em questão, buscando contribuir para o desenvolvimento de melhores metodologias de coletas de dados e testagem de hipóteses em línguas indígenas brasileiras, com o objetivo de promover um melhor entendimento das diferentes facetas da gramática dessas línguas e o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento linguístico. As apresentações abrangerão diferentes áreas da gramática e diferentes técnicas experimentais (on-line e off-line). O debate fomentará uma área de pesquisa em desenvolvimento no Brasil (linguística experimental a partir de estudos com línguas indígenas) e terá consequências diretas para estudos da estrutura da gramática e teorias sobre produção, processamento e aquisição da linguagem.

Palavras-chave: Aquisição; Processamento; Línguas Indígenas.

3. Análise Linguística, Representação e Processamento de L2 - Marcello Marcelino Rosa (UNIFESP) e Ricardo de Souza (UFMG)

Resumo: No contexto brasileiro, os estudos em L2 ficaram relegados, em grande parte, a enfoques externos à teoria e análise linguística, onde dialogam mais com áreas interdisciplinares como a sociologia, antropologia e pedagogia do que com a Linguística per se, ou com a Psicolinguística. Não obstante, são praticados no Brasil estudos que abordam a L2 sobre o prisma da natureza representacional da gramática não nativa, dos mecanismos e processos cognitivos que dão suporte a seu armazenamento mnemônico e ativação para o uso, e de sua separação e/ou integração com a L1. Trata-se, portanto, de uma frente de estudos que compreende que o bilinguismo e a aquisição de segunda língua constituem-se como objetos legítimos da psicolinguística experimental e da teoria linguística. Neste simpósio sobre Análise Linguística, Representação e Processamento de L2, pretendemos reunir pesquisadores que compartilham o interesse em abordar a segunda língua através de vertentes de análise linguística formal ou cognitivista, e também através da testagem experimental de hipóteses de natureza psicolinguística e neurolinguística. Serão acolhidos trabalhos que investigam modelos do acesso à Gramática Universal em situação bilíngue; características desenvolvimentais das interlínguas mediadas por possíveis universais linguísticos; modelos de armazenamento e acesso lexical e do processamento de frase por bilíngues; e possíveis modulações dos processamento da linguagem dos bilíngue por diferenças individuais e perfis cognitivos.

Palavras-chave: Teoria Linguística; Bilinguismo; Interlíngua; Psicolinguística; Processamento.

 

Eixo 23: Semântica e Pragmática

1. Semântica Formal - Luisandro Mendes de Souza (UFRJ) e Ana Paula Quadros Gomes (UFRGS)

Resumo: O Simpósio objetiva fomentar o intercâmbio científico entre os pesquisadores de semântica formal e pragmática. Como todo empreendimento científico, a semântica das línguas naturais é um projeto coletivo, que reúne em si grande diversidade de abordagens teóricas e metodológicas (Heim; Kratzer, 2008; Chierchia, 2003; Kamp; Reyle, 1993; entre outros). Apesar de ser um paradigma de pesquisa com tradição recente no Brasil, novos estudos e grupos de pesquisa vêm surgindo nos últimos dez anos (cf. Borges Neto; Müller; Pires de Oliveira, 2012), e, a partir deles, novas reflexões estão sendo elaboradas, com base tanto em estudos teóricos quanto experimentais. Dentre a diversidade de temas abordados, alguns aspectos da semântica do português e das línguas indígenas brasileiras têm recebido mais atenção. Destacam-se estudos sobre fenômenos ligados à expressão do tempo e à manifestação do aspecto no sintagma verbal, e a denotação dos chamados nomes nus (nomes contáveis sem morfologia de plural). Recentemente, o grau ou a gradação nas línguas naturais (fenômeno que discute a denotação dos adjetivos graduais e a modificação de diferentes tipos de predicados por advérbios de intensidade, orações adverbiais comparativas e determinantes vagos) também vem sendo alvo de investigação. Além de por esses e outros fenômenos semânticos, os pesquisadores vem se interessando cada vez mais pela relação entre a semântica e a pragmática, que envolve, particularmente, problemas relacionados ao estudo das pressuposições (É um fenômeno semântico ou pragmático? Como são projetadas?), ao cálculo de implicaturas conversacionais e convencionais (Em que nível são calculadas, globalmente ou localmente?), e à dêixis (Como fatores extralinguísticos interferem no estabelecimento da contribuição composicional dos elementos dêiticos, como pronomes pessoais e demonstrativos, para o valor de verdade da sentença?), entre outros. Focalização, quantificação, estrutura argumental são exemplos de temas recorrentes que se encontram na interface entre a semântica e a sintaxe. Paralelamente à discussão sobre a estrutura argumental de predicados, a classificação de verbos em classes semânticas tem produzido diversos estudos sobre o português (por ex.: Cançado; Godoi; Amaral, 2013). Todas as linhas de trabalho citadas encontrarão boa acolhida neste GT. Serão bem-vindos também trabalhos que discutam fenômenos semânticos tradicionais, tais como a distinção massa/contável, anáfora, modalidade etc., bem como estudos de outras áreas que façam interface com a perspectiva formal do significado. Também nos interessam temas de interface com a semântica que tenham sido objeto de experimentação psicolinguística. Ao fazer experimentos, os semanticistas vão a campo testar a aceitabilidade de certas expressões em contextos controlados, ou, ainda, verificar qual a interpretação associada à dada expressão. Está convidado a submeter trabalho para este GT, ainda, quem utilize métodos de medição de reações neurológica ou óptica, por meio de máquinas especializadas, para testar hipóteses semânticas ou que tratem de fenômenos situados em áreas que façam interface com a semântica. Há interesse também trabalhos sobre corpora, que meçam a frequência de uso de certas expressões ou verifiquem se há ou não relação entre certos fatores hipotetizados, linguísticos ou não, e a taxa de produção de tais expressões. O trabalho teórico ou intuitivo sobre as línguas naturais também não escapa à diversidade, tanto nas abordagens teóricas quanto no recorte do objeto. Em resumo, todas as propostas de investigação de questões relacionadas à semântica, em qualquer metodologia, estão convidadas a participar do debate acadêmico promovido por este GT.

Palavras-chave: Semântica Formal; Pragmática; Tempo e Aspecto; Nominais; Gradação.

 

Eixo 24: Semiótica

1. Semiótica: teoria e práticas descritivas - Renata Mancini (UFF) e Regina Souza Gomes (UFRJ)

Resumo: Desafiada por novos modos de enunciar, a semiótica discursiva apresenta hoje desdobramentos teórico-metodológicos de grande envergadura. A profusão de tecnologias que forjam novas semióticas-objeto, práticas e interfaces de leitura impõe procedimentos de análise mais complexos e define uma postura epistemológica de revisão e avanço contínuos. Ainda além, a permeabilidade entre práticas e estilos enunciativos, aliada aos modos de circulação de variados produtos culturais, definem novos horizontes de análise e reflexão teórica. Tomando esses questionamentos como ponto de partida para o diálogo entre pesquisadores de grupos de diversas filiações institucionais, este simpósio propõe alguns direcionamentos iniciais para o debate a ser estabelecido a partir de trabalhos de análise ou de textos teóricos: o lugar dos afetos e das mediações sensoriais na teoria; o engajamento do corpo na produção de sentido; o fazer persuasivo pela abordagem argumentativa; as práticas semióticas; a dimensão sociossemiótica do fenômeno enunciativo; os modos de interação; a vetorialização tensiva dos processos enunciativos; os estilos tensivos; questões de expressão; a relação entre suporte e plano de expressão; procedimentos de aspectualização.

Palavras-chave: Semiótica; Práticas Semióticas; Modos de Interação; Estilos Tensivos; Plano de Expressão.

 

Eixo 25: Sintaxe

1. Estratégias integrativas no bojo dos sintagmas: marcas de adjacência em línguas indígenas - Walkiria Neiva Praça (UnB) e Aline da Cruz (UFG)

Resumo: Em diversas línguas têm sido reportadas formas, fonologicamente curtas ou fracas, cuja aparente razão de ser se limita a jazer entre dois elementos em sequência sem nitidamente pertencer a nenhum dos dois. De um lado as tais formas carecem de função semântica e pragmática, do outro os dois elementos em sequência fazem parte de um mesmo constituinte, e o marco assim materializado costuma ser aquele que separa um núcleo lexical do seu dependente, seja este modificador (v.g. adjetivo) ou complemento (v.g. argumento interno). Exemplos notáveis deste fenômeno encontram-se nas famílias Bantu, Austronésia, Semítica, como também no Cáucaso e na América do Sul (famílias Caribe, Jê, Tupí), onde recebem uma variedade de nomes (geralmente termos afins a "link", "relação", "ligação", além de status constructus em algumas de suas manifestações). As formas jazentes constituem um desafio para os linguistas que não se satisfazem com a incúria epistemológica de constatar que elas têm como função mostrar que A ocorre junto a B. Adjacência ("estrita", ou contiguidade) é uma propriedade estrutural que, obviamente, ajuda a explicar outras propriedades estruturais. O que não implica que gerar um morfema especialmente desenhado para manifestá-la seja algo corriqueiro. Daí as hipóteses que, longe de ver as formas jazentes como morfemas, as reduzem a meras variações fônicas alterando os limites das raízes lexicais, resultado de regras morfofonológicas mais ou menos improdutivas. Dentre as hipóteses que, ao contrário, conferem natureza morfêmica às formas jazentes, destacamos como alternativas plausíveis à marcação de adjacência aquelas que invocam afixos/clíticos de pessoa ou de caso (até de inverso). O interessante desta questão é que a exigência de ultrapassar a simples observação dos fatos superficiais leva inevitavelmente à construção de roteiros diacrônicos em que uma forma ou processo acaba perdendo parcial ou totalmente sua motivação original, deixando como rastro um fóssil que, não por ser unicamente constituído de substância fônica, deixa de precisar de explicação. O encontro almeja avaliar contrastivamente as propostas tanto sincrônicas quanto diacrônicas que possam contribuir para uma maior inteligibilidade das formas jazentes.

Palavras-chave: Marcas de adjacência; Sintagmas; Relação; Núcleo Lexical; Línguas Indígenas.

2. Peças morfossintáticas: suas leituras composicionais e idiomáticas - Isabella Lopes Pederneira (UFRJ) e Miriam Lemle (UFRJ)

Resumo: Qual a contribuição semântica da raiz am- nas expressões: "eu te amo", "um amor de criancinha", "o amor é lindo", "Luiza é amável", "o amante de Dona Flor", "um fotógrafo amador"? A proposta deste simpósio é discutir as implicações teóricas na interface sintaxe-semântica levando em consideração casos de polissemia e saltos semânticos, como os ilustrados nos exemplos acima. De que maneira é possível definir a contribuição semântica da raiz? Quais são os conteúdos semânticos provenientes da pura estrutura sintática e quais os que também dependem do conhecimento de mundo?

Palavras-chave: Polissemia; Sintaxe-Semântica; Saber de Mundo; Saber Conceptual; Saltos Semânticos.

3. A cartografia das estruturas sintáticas: rumos e direções de pesquisa no Brasil - Sandra Quarezemin (UFSC) e Aquiles Tescari Neto (UFRJ)

Resumo: Como resultado natural das investigações gerativistas dos anos 80/90 sobre os átomos da estrutura da oração e dos sintagmas que a constituem, o Programa Cartográfico – versão da teoria de Princípios e Parâmetros que encontra em Rizzi (1997) e Cinque (1999) seus trabalhos fundadores – trouxe ideias iluminadoras para a teoria linguística, especialmente no tocante à descrição das categorias funcionais ou gramaticais da oração e de seus principais sintagmas. Cinque e Rizzi (2008, p. 42) definem o Programa Cartográfico como uma "tentativa de desenhar mapas de configurações sintáticas o mais preciso e detalhado possível." Um dos principais objetivos do Programa é estabelecer uma correspondência sistemática entre as características morfossintáticas e semânticas, de um lado, e as projeções funcionais – a estrutura sintática –, de outro (BENINCÀ E MUNARO, 2011). Os estudiosos que trabalham com a Cartografia compartilham a ideia de que as estruturas funcionais (gramaticais), que são na verdade muito mais enriquecidas e detalhadas do que se pensa, constituem parte permanente da Gramática Universal, e, portanto, são disponíveis a todas as línguas. Cinque (1999) propõe uma representação do "espaço IP" (ou Sintagma da Flexão ou "Middlefield") reconhecendo que tal porção da estrutura seria constituída de cerca de quarenta categorias funcionais/gramaticais totalizando quarenta projeções funcionais, cada uma caracterizada por um traço semântico distintivo. Rizzi (1997) propõe uma série de categorias funcionais na periferia esquerda da sentença tornando o sistema CP uma estrutura complexa. Belletti (2001) investiga as sentenças com a ordem verbo-sujeito (VS) do italiano e propõe uma área acima de vP para os constituintes com funções discursivas de tópico e foco. As interpretações destes constituintes vêm da relação estabelecida entre o núcleo e seu especificador. Uma das grandes contribuições do Programa Cartográfico à Teoria de Princípios e Parâmetros foi incluir, em sua pauta de pesquisa, importantes questões de natureza tipológica e a elaboração de algoritmos que deem conta de explicar universais linguísticos, como o trabalho de Cinque (2005) sobre a ordenação dos modificadores demonstrativo, numeral e adjetivo em relação ao nome, na projeção estendida deste. O objetivo do simpósio é reunir pesquisadores que assumam o Programa Cartográfico em suas investigações sobre o português brasileiro e outras línguas. Trabalhos em linguística diacrônica, variação/mudança e aquisição, que dialoguem com a Cartografia, também serão bem-vindos.

Palavras-chave: Cartografia; Gramática Gerativa; Português Brasileiro; Mapas Estruturais.

4. A subordinação oracional sob a perspectiva funcionalista - Erotilde Goreti Pezatti (UNESP) e Roberto Gomes Camacho (UNESP)

Resumo: A proposta deste simpósio é trazer para discussão o processo morfossintático de subordinação, baseada numa concepção de gramática que incorpore as categorias pragmáticas e semânticas, alinhando-as às categorias morfossintáticas e fonológicas, conforme sustentam as teorias funcionalistas. O principal compromisso dos trabalhos a serem apresentados é, então, o de descrever a língua não como um fim em si mesmo, mas como um requisito do processamento interpessoal e representacional de cada interação verbal. Dessa forma, esperamos discutir resultados de pesquisas de base funcionalista, envolvendo qualquer um dos tipos de subordinação – completiva, adverbial e adjetiva –, em português ou em qualquer outra língua, desenvolvidas sob as perspectivas descritiva ou tipológica, diacrônica ou sincrônica. A apresentação dos trabalhos abrange duas dimensões: a primeira refere-se à subordinação que ocorre no interior da oração, envolvendo argumentos, como é o caso da completiva (subjetiva e objetiva) e da predicativa, ou modificador, como é o caso da adverbial. A segunda dimensão trata da subordinação no interior do sintagma e envolve a subordinada argumental, tradicionalmente denominada completiva nominal, e a subordinada modificadora, tradicionalmente denominada adjetiva.

Palavras-chave: Funcionalismo; Subordinação; Oração.

5. As valências verbais no português brasileiro - Larissa Santos Ciríaco (UFLA) e Eliane Mourão (UFOP)

Resumo: A valência de um verbo é o conjunto de construções em que ele pode ocorrer. Por exemplo, o verbo ferver pode ocorrer na construção transitiva, como a cozinheira ferveu o leite, e na construção ergativa, como o leite ferveu. O fato de esse verbo poder ocorrer nesses dois arranjos na língua faz parte de sua valência, ou seja, constitui uma propriedade gramatical que o distingue. Essa propriedade é de natureza sintático-semântica. Assumimos, em concordância com Goldberg (1995, 2006), Perini (1998, inédito) e muitos outros linguistas, que uma construção é um pareamento de forma e significado e, portanto, carrega informações de natureza morfossintática e semântico-pragmática em sua estrutura. As informações morfossintáticas dizem respeito à classe morfológica, à ordem e às funções sintáticas, como as de sujeito, de complemento, etc.; já as informações semântico-pragmáticas dizem respeito principalmente aos papéis temáticos de cada argumento em relação ao verbo. Cada uma das construções em que um verbo ocorre pode ser também uma "diátese" desse verbo (Perini, 1998, inédito). Esse é o caso das construções transitiva e ergativa exemplificadas acima, pois são construções que subclassificam o verbo ferver e outros que nelas ocorrem. Isso significa que essas construções não são compatíveis com todo e qualquer verbo da língua. Por exemplo, a construção ergativa pode ser elaborada por ferver e quebrar, entre outros verbos, mas não por empurrar e possuir, por exemplo, conforme mostra a agramaticalidade de sentenças como *O carrinho empurrou; *a casa possui (Ciríaco, 2007). Sendo assim, dizemos que os verbos ferver e empurrar possuem valências diferentes. O conhecimento das construções nas quais os verbos da língua ocorrem é indispensável para a formação de sentenças nessa língua. Além disso, esse conhecimento não é trivial, ou seja, ele não está simplesmente estocado em nossa memória, mas, como muitos autores mostram, é um conhecimento organizado, do qual se podem extrair importantes generalizações sobre o funcionamento da sintaxe e da semântica de uma língua (cf. Levin e Rappaport-Hovav, 1995, 2005, 2010; Perini, 2008, inédito; Ciríaco, 2007, 2011, 2014; Goldberg, 1995, 2006; etc.). Assim, este simpósio tem os objetivos de i) propor uma discussão sobre as valências verbais e seus problemas em português e ii) refletir sobre as metodologias e as teorias atuais para o tratamento dos dados e dos problemas levantados em pesquisas sobre valências verbais, construções e papeis temáticos; proporcionar comunicações e discussões entre grupos interessados na descrição das valências verbais. Sendo assim, trabalhos que versam sobre valências verbais, papéis temáticos, estabelecimento de funções sintáticas para os argumentos dos verbos, regras de linking ou mapeamento de argumentos e as diversas abordagens teóricas disponíveis para abordá-los serão bem-vindos a este simpósio.

Palavras-chave: Programa Minimalista; Sintaxe; Forma Fonética; Forma Lógica.

6. Teoria da Gramática: minimalismo e interfaces - Marcus Vinicius da Silva Lunguinho (UnB) e Helena da Silva Guerra Vicente (UnB)

Resumo: O Programa Minimalista (Chomsky 1993, 1995 e trabalhos subsequentes) traz para a teoria gramatical uma nova maneira de conceber a linguagem humana, a qual passa a ter um desenho minimalista, no qual só há lugar para entidades e tecnologias descritivas que são conceptual ou empiricamente motivadas. Uma consequência dessa visão sobre a natureza da linguagem humana é a reflexão acerca da arquitetura da gramática, que deixa de ter quatro níveis de representação – como na arquitetura da Teoria de Princípios e Parâmetros (Chomsky 1981, 1986; Chomsky & Lasnik 1993) – e passa a contar apenas com dois níveis de interface conceitualmente necessários. Com base nessa nova arquitetura, a gramática das línguas passa a ser composta por um Léxico, pela Sintaxe (entendida como um sistema computacional para a linguagem humana – CHL), pela Forma Fonética, nível de representação que faz a interface do CHL com o sistema sensório-motor, e pela Forma Lógica, nível de representação que faz a interface do CHL com o sistema conceitual-intensional. Disso resulta que a linguagem humana é encaixada em dois sistemas de performance e que todas as representações geradas pelo CHL devem ser legíveis nas interfaces, satisfazendo as exigências desses níveis. Esse panorama resume brevemente o modelo de gramática adotado no Programa Minimalista. Tomando essa arquitetura de gramática como pano de fundo, este Simpósio Temático tem como objetivo ser um espaço de discussão de trabalhos que se desenvolvam tomando o Programa Minimalista como quadro teórico de referência e que abordem fenômenos (morfos)sintáticos ou fenômenos que se situem na interface sintaxe-fonologia e/ou na interface sintaxe-semântica. São bem-vindos trabalhos tanto na perspectiva sincrônica quanto na diacrônica, e que tomem como objeto de estudo a língua adulta ou a aquisição da língua pela criança.

Palavras-chave:

7. Descrição e análise do português em perspectiva funcionalista - Camilo Rosa Silva (UFPB) e Cleber Alves de Ataíde (UFRPE)

Resumo: Este Simpósio Temático pretende oportunizar a divulgação de estudos que, sob uma orientação teórica de cunho funcionalista, abordem questões relacionadas à descrição e à análise da gramática do Português. É sabido que o Funcionalismo se caracteriza pela valorização das formas como fontes nas quais se pode verificar os aspectos múltiplos do funcionamento da língua. Considera-se, nessa perspectiva, que a estrutura gramatical é motivada, quando não determinada, pelas situações comunicativas. Entende-se, portanto, que a estrutura da língua se consolida em resposta a necessidades demandadas na interação, levando a crer que a gramática se compõe da adaptação de formas do discurso, atestando-se, nessa perspectiva, a natureza icônica da linguagem verbal. Essa é a perspectiva de onde se manifestam autores como Bybee e Hopper (2001), Hopper (1979), Givón (1979, 1983), Hopper e Thompson (1980, 1984), Du Bois (1985). Para os funcionalistas, as estruturas linguísticas são variáveis e se moldam aos usos da língua. As mudanças atendem às necessidades comunicativas ou à inexistência de designações para conteúdos cognitivos inerentes a inovações no mundo real ou nos mundos possíveis. E é assim, com lenta mas contínua mudança no conjunto de membros das diversas categorias, que a gramática se acomoda, rearranjando no sistema os elementos que se vão deslocando gradativamente, para resposta às citadas necessidades comunicacionais. Como a língua está em constante processo de alteração de estruturas e sentidos, a abordagem funcionalista visa a flagrar essa variação e analisá-la, levando em consideração sua multifuncionalidade. Desse modo, concebendo a língua como um fenômeno em ebulição, a perspectiva de análise aqui contemplada comunga da concepção de emergencialidade da gramática, defendida por Hopper (1987). Portanto, serão aceitas pesquisas e reflexões que focalizem a instabilidade do sistema linguístico, especialmente, sob a perspectiva da gramaticalização, partindo-se do pressuposto de que, a partir delas, os componentes sintático-semântico e discursivo-pragmático que materializam as escolhas dos falantes podem ser investigados e descritos. Isso significa que serão selecionados trabalhos que reflitam fatores envolvidos no estabelecimento de funções sintático-semântico-discursivas que um determinado item ou construção linguística possam exercer em um determinado contexto. Será dada preferência aos estudos que apresentem resultados de pesquisas concluídas ou em andamento, obtidos através da análise de dados, tanto os que investigam corpora de língua oral como de escrita.

Palavras-chave: Gramaticalização; Português; Funcionalismo; Análise; Descrição.

 

Eixo 26: Tipologia Linguística

1. Estudos descritivos sobre Línguas Indígenas - Stella Teles (UFPE) e Sinval Martins de Sousa Filho (UFG)

Resumo: Os estudos descritivos propiciam o "conhecimento sistemático dos fatos de uma língua", além de fornecer "ao lingüista teórico uma base de dados confiável para construir e testar eventuais teorias" (PERINI, 2006). A tarefa descritiva no Brasil encontra um campo vasto de pesquisa com resultados promissores, diante da diversidade linguística existente no País. No território brasileiro há, pelo menos, 160 línguas indígenas, espalhadas por quase todos os Estados (RODRIGUES, 1997) e expostas ao contato inevitável e crescente com a sociedade nacional. A diversidade tipológica e genética entre essas línguas é notória e representa um patrimônio imaterial de uma riqueza inestimável. Como línguas minoritárias, elas se encontram, em alguma medida, ameaçadas de extinção. Entretanto, a realização dos estudos descritivos, que visem à documentação e propiciem o fortalecimento de políticas e ações para a salvaguarda das línguas ainda requer um esforço coletivo maior, sobretudo por se tratarem de línguas subjugadas, minoritárias e sem prestigio social nas suas relações de contato com o mundo circundante. Embora se ressalte que os estudos relativos às línguas indígenas têm aumentado consideravelmente, sobretudo a partir dos anos 90 do século passado, é fato que a maior parte das línguas ainda é pouco estudada e que os trabalhos existentes carecem de continuidade e aprofundamento. O registro e a documentação da diversidade cultural e linguística importam não só à memória do que fomos, mas fornece conhecimentos fundamentais para as soluções do que seremos. Sobre isso, salientam-se as visões de mundo variadas e bastante distintas entre si que podem ser acessadas a partir do conhecimento dessas línguas. De forma inversa, a sua morte representa o apagamento de formas criativas e particulares do conhecimento acumulado acerca do mundo e da experiência humana. O simpósio "Estudos descritivos sobre Línguas Indígenas" tem o objetivo de criar um espaço para discussão e troca de experiências entre os linguistas indigenistas. Os trabalhos podem contemplar a descrição linguística com foco nos diferentes níveis da língua (fonética, fonologia, morfologia, sintaxe e nas suas interfaces) ou os estudos comparativos e de perspectiva histórica. Além disso, trabalhos que estabeleçam a articulação com a antropologia, a história, a saúde, a música e a literatura, entre outras áreas, são fundamentais e enriquecem o registro e a documentação linguística, os quais são encorajados e bem-vindos para o conjunto das discussões.

Palavras-chave: Línguas Indígenas; Tipologia; Descrição; Gramáticas; Interdisciplinaridades.